domingo, 10 de julho de 2016

Pensar o Clube, não pessoas.

Mais uma vez, o comum e previsível. De que vale o currículo de passado vitorioso se não for para transformar em um mínimo de credibilidade para fazer boas escolhas e poder dar sequencia a um trabalho? Após 61 jogos, Argel "não é mais técnico do Inter". Basta colocar esse trecho entre aspas no Google ao lado do nome dos nossos últimos treinadores para vermos a repetição praticamente anual da mesma história.

O problema não é pessoal. Não é culpa exclusiva do atual presidente, mas de uma mentalidade reinante no mundo do futebol que iguala críticos e criticados. Mentalidade que entende futebol como mera escolha de um conjunto de jogadores, tal como garotos que escolhem seus times no colégio. Mentalidade das soluções mágicas, dos fatos novos, do chute na porta do vestiário. Mentalidade da "velha guarda" - que independe da idade - com notórios "jovens", sub-50 e até sub-40 defendendo-a.

Argel é apenas mais um e não será o último. Afinal os atuais críticos têm a mesma mentalidade e fariam o mesmo. Farão o mesmo no futuro. Eu vejo, senhoras e senhores, "o futuro repetir o passado". Falcão, 18/07/2011; Dorival, 20/07/2012; Aguirre, 06/08/2015, Argel, 10/07/2016... O começo do Brasileirão é sempre o momento de adequar nossos sonhos com a realidade.

Preocupa, agora, que o Inter busque recomeçar um novo trabalho de curtíssimo prazo. Acaba de comprometer alguns milhões em contratações dentro de um determinado sistema de jogo e vai ao mercado buscar treinador provavelmente com visão de jogo diferente. Ariel, por exemplo, foi contratado para aproveitar as diversas bolas cruzadas na área e pouco aproveitadas pelo Inter. Entretanto sua estreia foi o último jogo do treinador que implementava esse modelo. Quem chegar terá que montar time sem pré-temporada, sem conhecer direito o elenco.

O erro de começar uma temporada sem objetivos claros, a não ser os sonhos de ganhar tudo, não é de uma pessoa atualmente possuidora de mandato dos sócios para mandar no Clube. Não se trata de defender, mas de ir além. Está na hora de aprofundar o debate e superar essa fulanização. Achar que "trocar o fulano", seja ele presidente ou treinador, é uma solução aceitável. O torcedor que discute os problemas do Clube com base em mera "troca de presidentes", é o mesmo que, depois de eleito, mantém a lógica na "troca de treinadores". Não são as pessoas, mas o que elas fazem, pensam e se comprometem. Quem quiser colaborar, precisa aprofundar os seus conceitos. O Inter precisa disso.

Guilherme Mallet
Porto Alegre, 10 de julho de 2016.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

ESTATUTO NOVO, radioso de luz

SPORT CLUB INTERNACIONAL

Novo estatuto e nova política de administração do Clube de Futebol
nova eleição pra gestores e conselheiros

O Futebol na sua essência esportiva não sofre alterações. Suas regras de facílima percepção ao humano o transformaram no maior esporte praticado no planeta e, nas últimas décadas, além da prática esportiva, se transformou em negócio com enraizamento na economia mundial. 

Os Clubes se adaptaram a este esporte/negócio adotando várias formas empresariais e associativas. O Sport Club Internacional, por força da cultura da Torcida Colorada, neste contexto mundial, continua a ser entidade associativa. Os sócios comandam o Clube através do valor Democracia. Aos sócios cabe a escolha dos dirigentes. O Sport Club Internacional não é propriedade de  empresa ou de pessoa; não tem ações em bolsa de valores. 

O ideal sonhado e realizado por todos os Colorados, a partir dos irmãos Poppe, com a aprovação do novo estatuto, será buscado com um novo desenho administrativo.

A necessidade do alto nível de competitividade obrigou alterar a organização do Clube e de um ambiente que no passado permitia o voluntariado e o amadorismo na sua gestão passou à profissionalização nas diversas atividades que envolvem e decorrem do Futebol. Os  valores orçamentários em uma década aumentaram de forma quase exponencial.

Neste período, o Clube adotou medidas práticas de maior controle interno. Houve a publicação dos balancetes trimestrais; realização de planejamento estratégico. O debate anual no Conselho Deliberativo sobre a peça orçamentária se tornou mais técnico. 

Estes avanços foram conquistados por força da Democracia interna que acolhe o sócio como protagonista da escolha dos gestores. 

Agora o Clube incorporou para a sua organização interna os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e eficiência. 

Aspectos contemporâneos para administração do Clube estão regulamentados como ferramentas de gestão dentre as quais o planejamento estratégico, orçamento com rigidez técnica, transparência e controladorias.


A lei 13.155 (PROFUT) exige das associações esportivas a transparência financeira e administrativa; a moralidade na gestão desportiva; a responsabilidade social de seus dirigentes e a independência do Conselho Fiscal.  O Clube inovou no País com a representação da minoria neste importantíssimo órgão de controle interno. Regra alicerçada no conceito de governança corporativa.

A Torcida Colorada em menos de uma década aumentou seu quadro social da unidade para a centena de milhar e a remodelação do Estádio Beira-Rio mantendo-o como um Gigante, transformou cada partida em grande evento e para melhor atenção aos torcedores e aos Sócios Colorados se fez obrigatório  que a Ouvidoria se transformasse num órgão do Clube.   

Neste esporte coletivo que mexe com a paixão Colorada a tomada de decisão não pode ser individual. Decidir e/ou escolher é base para tudo. O Sport Club Internacional faz parte da elite mundial do Futebol e a representação esportiva do nosso time traz enorme responsabilidade aos gestores escolhidos democraticamente pelos associados. 

O Futebol tem um produto especialíssimo que é a paixão. É inexplicável. É subjetiva. Não pode ser fabricado numa linha industrial. A atividade fim do Clube é montar um time de atletas de alto rendimento, cuja performance conquiste os títulos perseguidos nos diversos torneios e competições. 
A legislação ordinária, dentre as quais se destacam o Estatuto do Torcedor, Lei Pelé e Profut e as demais regentes dos Clubes de  Futebol  exigem a responsabilidade fiscal. É o fair play financeiro já erigido como princípio pela FIFA.


Agora se impõem aos administradores dos clubes a responsabilidade civil e criminal na ocorrência da má gestão que envolve todos os atos das atividades decorrentes da formação de um time competitivo, tais como contratação de atletas, marketing,  transmissão e comunicação, gestão do estádio, relacionamento com torcedores e quadro social, licenciamento de marca, material esportivo, centro de treinamento e formação de atletas, relações com a área de saúde e fisiologia, etc.

Neste cenário de alta complexidade e extrema competitividade, foi exigido ao Clube, além de regulamentar ferramentas de gestão, a alteração do seu sistema diretivo. Processar informações e realizar decisões através dos dados gerados pelo Futebol e  negócios dele decorrentes não pode ser realizado por um só organismo concentrado na figura do presidente.

Foram muitas as sugestões no sentido de alterar o atual sistema concentrador por um conselho gestor com missão de planejar estrategicamente o que deve ser realizado pelo Clube.

O presidente do Clube será o Líder de um sistema diretivo cujas tomadas de decisões serão compartilhadas num Conselho de Gestão composto por ele e 4 vice-presidentes  e atribuir a execução desta multiplicidade de atos a outro nível executivo através das vice-presidências especializadas e diretores fiscalizados por terceiros via Conselho Fiscal, Controladorias, e Conselho Deliberativo.

Cada departamento terá seus executivos profissionalizados a fim de se preservar a continuidade dos projetos e procedimentos administrativos no decorrer do tempo, face à alternância dos representantes do Clube. 

Este modelo apresenta princípios da gestão contemporânea fundadas em governança corporativa e compliance e mantém o Clube com sua organização associativa fundamentada no princípio da democracia.

Um novo olhar político.

No final deste ano os sócios mais uma vez serão chamados para exercer a cidadania colorada para renovar sua representação no Conselho Deliberativo em 150 cadeiras. 

Salienta-se que os gestores políticos do Clube nascem deste importante órgão de representação dos sócios e, parafraseando a poesia, “renovar é preciso mas qualificar o CD também é preciso”

.

A boa escolha de hoje será a boa administração do futuro.

Os sócios escolherão democraticamente o primeiro Conselho de Gestão do Clube.

Será um momento singular  pois  o debate não estará centrado entre situação contra oposição.  

Os candidatos à presidência e vice presidências neste novo modelo de administração deverão apresentar planos ou programas de gestão de acordo com a nova estrutura política do Clube e, principalmente, uma visão e planejamento muito cristalino para o Futebol pois se trata de um Clube Gigante de uma Torcida Gigante que exige o protagonismo do Time em qualquer torneio ou competição.

Há muito o que ser feito e o novo Estatuto permite que todos os temas importantes do Clube fiquem na agenda de debate dos sócios para continuarmos na senda de vitórias.

Vitor Hugo Loreto Saydelles
Sócio colorado desde 1997, sob a matrícula nº 8970.00, é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, advogando desde 1986. Conselheiro do Sport Club Internacional e Membro da Comissão Permanente de Assuntos Legislativos, Estatutários e Regimentais


“A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas”. Mario Quintana. 

Twitter: @vitorsaydelles

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Olhos Onde Surge O Amanhã

O Sport Club Internacional é uma instituição centenária mas com tradição de ser pioneiro nas sua decisões. Esta característica surgiu já na sua fundação, ao ter uma abrangência internacional quando outros clubes restringiam a prática esportiva para uma única nacionalidade. 

Tem uma tradição de longa data na formação de atletas nas suas categorias de base, foi o clube que melhor se adaptou à nova legislação (Lei Pelé) no que se refere a contratos de jogadores e investiu no crescimento do quadro social para aumentar seu faturamento.

Entretanto ser um clube de vanguarda é ter a missão de estar sempre à frente dos demais concorrentes. O que era diferencial competitivo deixa de ser a medida que outros concorrentes vão seguindo o modelo e copiando os exemplos.

É o que está ocorrendo no futebol brasileiro. A maioria dos grandes clubes estão investindo no aumento do quadro social. Além disso, clubes do centro do país considerados mais representativos em número de torcedores têm tido facilidade no fechamento de contratos de patrocínio e cotas de TV. 

Em vista da forte concorrência nacional e da desleal concorrência externa com equipes da Europa e de outros mercados como a China, é preciso gerir de maneira mais eficiente os recursos existentes e buscar outras fontes alternativas de receitas. É preciso ter “olhos onde surge o amanhã” para chegar primeiro onde ninguém ainda chegou.

Está em discussão no Conselho Deliberativo (CD) colorado o novo Estatuto do Inter. Entre muitas inovações para se adequar a legislação e aos novos tempos, existe o tema forma de gestão. Trata-se da mudança do atual modelo presidencialista centralizador para uma forma mais moderna e alinhada com as boas práticas de governança corporativa com a criação do Conselho de Administração (CA). 

Não tenho a pretensão de teorizar sobre conceitos de governança ou desenho ideal sobre modelo de Conselho de Administração, senão externar um debate que está ocorrendo no âmbito interno do Clube. O objetivo desta mudança é preparar o Inter para o futuro, dar perenidade às ações e proporcionar mais transparência e segurança nas decisões.

Alguns palestrantes que passaram pelo CD alertaram que a simples mudança não é garantia de sucesso mas que pode sim significar um risco menor de fracasso. Além do Conselho de Administração, é necessário que exista um Planejamento Estratégico (PE) muito bem definido, com objetivos claros, estabelecimento de metas mensuráveis e acompanhamento periódico dos indicadores. O PE aponta para o futuro definindo onde se pretende chegar e define as ações para atingir o objetivo perseguido. Como disse o conselheiro convergente Humberto Busnello “o Conselho de Administração é o guardião do Planejamento Estratégico”. Cabe a ele acompanhar o fiel cumprimento das ações previamente definidas. 

Com o Conselho de Administração a gestão passa a ser estratégica, sistematizada e mais transparente. Trata-se de um pilar fundamental da moderna governança corporativa. Além de zelar pelo cumprimento do planejamento o Conselho deve intervir para evitar decisões precipitadas de curto prazo que possam comprometer metas futuras. Motivados por resultado de curto prazo, um presidente pode tomar uma decisão de forma individual que compromete a viabilidade de futuras gestões. A governança corporativa visa garantir a perenidade da organização em detrimento de objetivos efêmeros. 

Não existe um modelo de CA ideal e pronto para um clube de futebol como o Inter. É preciso copiar, adaptar, testar, fazer mudanças quando necessário até se chegar mais próximo do desejado. Boas práticas de governança apontam para um Conselho de Administração formado por 5 a 9 conselheiros que devem ser eleitos eleitos pelos sócios. É recomendável que o Conselho seja constituído por profissionais com expertises diferentes como finanças, contabilidade, inovação tecnológica e ter capacidade para administrar crises, além de habilidade de trabalhar em equipe. 

Se ainda não existe um modelo pronto e acabado, isso não significa que não se deve dar o primeiro passo. Ser vanguarda é aceitar o desafio de trilhar novos caminhos para desbravar lugares nunca antes exploradas mas cheio de recompensas para chegar primeiro. Por ora, o desafio é do CD em aprovar o Conselho de Administração para dar mais estabilidade à gestão do Inter.


Adir Carlos Rodrigues 
Sócio colorado desde 1999, matrícula 004406.00 e conselheiro desde 2006. Graduado em Administração, Pós-graduado em Segurança da Informação, Servidor Público Federal. 
Twitter: @adirpoa


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O mesmo Inter, um novo modelo


O Convergência Colorada, depois de muito estudo, coleta de contribuições junto a profissionais de ponta do negócio futebol e colorados das mais diversas origens, traz a público seu plano de gestão que propõe um novo modelo de administração para o Internacional.

Nosso colorado, fruto de um continuado aumento de gastos no futebol, vive um momento de estagnação de um modelo diretivo e agravamento da sua situação financeira, alerta necessário que tenho feito tomando por base números que são públicos. Logo ali poderemos perder capacidade de investimento. Sei que não é uma afirmativa simpática, mas estou tranquilo por tê-la reportado fundamentadamente ao presidente do clube e ao Conselho Deliberativo.

Estamos propondo que o Inter passe a atuar em sua estrutura a partir da formação de um Conselho de Administração plural que defina grandes metas estratégicas do clube, cobre e fiscalize junto à diretoria executiva a implementação das ações voltadas para o resultado. Para enfrentar um mundo onde competidores como Flamengo e Corinthians no ano de 2015 devem receber cerca de R$ 100 milhões a mais de verba de TV, acreditamos ser vital a imediata adoção de práticas de governança corporativa hoje consagradas no ambiente empresarial que trabalham muitas vezes com orçamentos menores do que o do Internacional.

Não temos mais o direto de ter uma gestão fundamentada no voluntariado, ocupando espaços dos profissionais. A ordem contida no plano de gestão que oferecemos ao Inter é a retomada do planejamento estratégico abandonado, transparência financeira, investimento em tecnologia do esporte, medição de desempenho em todas as áreas, bem como ampliação e diversificação das fontes de receita. Temos que trabalhar para viabilizar e depois erguer um dos melhores centros de treinamento do mundo, valorizando nossa vocação formadora de atletas. Nosso sensacional quadro de sócios precisa de uma nova política mobilizadora que sacuda o Rio Grande para superar a estagnação e avançar rumo aos 200 mil integrantes. O complexo Beira-Rio é uma cidade que nos possibilita novas oportunidades que devem ser pensadas com visão estratégica.

Muito antes do que críticas, o que lançamos são desafios, para que tenhamos um novo modelo de gestão para o mesmo Inter, forte e vencedor no futebol.

*Artigo publicado originalmente na coluna "De Fora da Área" da Zero Hora de 23 de outubro.


Sandro Farias

Conselheiro do Internacional desde 1998, participante do Comitê de Finanças da Gestão 2000/2001, bem como assessor da vice-presidência de Finanças e da presidência desse período. Bacharel em Direito, Ciências Contábeis e com Pós Graduação em Finanças, atua na área de Direito Tributário. É sócio contribuinte e indicado candidato à presidência do Clube em 2010 e 2012. Primeiro coordenador-geral do Convergência Colorada no período de transição e atual coordenador. Liderou o processo interno de produção do Plano de Gestão 2011-2012 e 2013-2014.

Ainda pelo Clube, colaborou na elaboração e apresentação no Conselho do orçamento de 2000/2001, relatórios de Prestação de Contas do período e na elaboração de Caderno de Estudos fundamentando postulação junto a Conmebol e CBF dos critérios para a Mercosul 2000/2001. Em 2008 participou da Comissão Eleitoral e foi conselheiro da FECI para aquele biênio. Foi membro do Grupo de Planejamento Estratégico 2009-2019 do Inter e participou da elaboração do relatório sobre isenção de tributação municipal do projeto Gigante Para Sempre. 


Twitter: @SandroSFarias
Facebook: sandro.farias.50

sábado, 23 de agosto de 2014

É para frente que se anda

Em 30 de agosto, os associados do Inter votarão proposta de reforma do estatuto do clube. Votação esta que chega com um atraso de mais de 12 anos, apesar da relevância de alguns temas pendentes. O debate entre o possível e o ideal é rico e necessário, sob pena de termos um clube (novamente) estagnado — como em décadas passadas.

Ainda que eu tenha recebido a incumbência da relatoria desse projeto, fui voto vencido na maioria das deliberações. Isso me deixa em posição mais confortável para defender a aprovação do projeto, uma vez que ainda que esteja longe do (meu) ideal, contém avanços políticos, democráticos e jurídicos relevantes. Principalmente: a queda da cláusula de barreira na eleição para presidente do clube é significativo no progresso democrático e de participação dos associados. O que era exceção passa a ser regra: a democracia direta.

Outros pontos relevantes do projeto disponível para consulta no site do clube: a limitação de reeleições do presidente (atualmente inexiste qualquer restrição); o direito a voto dos sócios do Parque Gigante, a reordenação dos dispositivos do estatuto, agora sistematizados; a valorização do Regulamento Geral do clube e regimentos internos, a possibilidade de autorizar remuneração do presidente, desde que esteja no Regulamento Geral do Clube e dentro dos limites legais (dedicação exclusiva e remuneração não superior a 70% do teto do salário do servidor público do Poder Executivo Federal); além da própria adaptação da competência de Assembleia Geral para alteração do Estatuto.

Se aprovado o projeto, no próximo biênio o Conselho Deliberativo terá a missão importante de readaptar os instrumentos normativos internos, principalmente seu próprio Regimento, além do Regulamento Geral de Sócios e Código de Ética.

Além disso, também é fundamental o debate e o avanço quanto as melhores práticas de governança corporativa, com decisões estratégicas tomadas de forma sistematizada e organizadas em um Conselho de Administração efetivo; a profissionalização ética e eficaz evitando-se a mera contratação de parceiros políticos para as atividades executivas do clube, além de tantos outros temas importantes.


Em síntese, são diversos os passos que o Inter deve dar se pretende ser vanguarda do futebol brasileiro, americano e mundial, mesmo sendo um clube de fora do eixo político-econômico do país. Não podemos esperar por um Estatuto ideal (que é uma análise subjetiva), tão pouco imaginar que com os avanços democráticos e da derrubada do mito da convocação da Assembleia Geral demoraremos outros 12 anos para discutir novas alterações.

Nós associados desse clube de indiscutível grandeza poderemos indicar no próximo dia 30 se pretendemos um Internacional estagnado e fechado a mudanças, ou um clube de excelência, focado em ser líder e sem medo de dar este que é (apenas) um primeiro passo.

Texto publicado originalmente no jornal Zero Hora, em 23/08/2014


Guilherme Mallet 

Sócio do Sport Club Internacional, integrante do Conselho Deliberativo do Clube desde 2008. É coordenador do movimento Convergência Colorada e foi relator do projeto de Reforma Estatutária do Inter. Atua profissionalmente como advogado.

Facebook: guilhermemallet

terça-feira, 24 de junho de 2014

Finanças Coloradas: mais informação, mais responsabilidade

O Internacional volta a publicar em seu site oficial os balancetes contábeis apresentados nas reuniões do Conselho Deliberativo. Trata-se de um acerto da diretoria, em atenção a reiterados pedidos ao clube feitos por integrantes do Convergência Colorada. É um procedimento que consta em nosso Plano de Gestão apresentado aos sócios.

Tanto já era hora de retomar a prática, que recentemente passou a vigorar nova redação da Lei Federal 9.615/98 que, entre outras inovações, reforça a necessidade da transparência econômico-financeira para entidades desportivas sem fins lucrativos.

Acredito que estamos diante de uma valiosa oportunidade de qualificação da gestão do clube de forma permanente, o que afirmo sem desconhecer a importância da preservação de dados estratégicos do nosso Inter, tendo em vista nossa natureza privada, mas com nítidos contornos de entidade pública que temos devido ao interesse que desperta. Sem esta medida a instituição esteve muito vulnerável a “vazamentos” irresponsáveis e uso inadequado de informações financeiras.

Não é de hoje que tenho manifestado minha preocupação com estes aspectos estruturais, defendendo que nosso clube deva ser permanentemente desafiado a inovar, qualificar a gestão corporativa, reduzir gastos, ampliar e diversificar receitas em busca da capacidade de investimento no futebol. A adoção de práticas de governança corporativa, na qual se inclui a transparência com a publicação de informações financeiras é instrumento disto e, tenham certeza, torna-nos mais fortes.

Em produtiva conversa que tive com o Presidente Giovanni Luigi na semana passada, concordamos que aumenta a responsabilidade de todos quanto ao uso de tais dados financeiros. Conselheiros, sócios, imprensa especializada, meio esportivo, enfim, todos devem estar atentos em busca da boa análise das informações. 

Os dados estão sendo divulgados de forma bruta, motivo pelo qual desta medida já se descortina um novo desafio: a preparação de tais informativos numa linguagem didática, com comparabilidade no tempo, cujo entendimento seja claro a todos, gerando sim envolvimento e comprometimento daqueles que querem um Internacional cada vez melhor. Porque tudo, amigos, tudo que fazemos reflete, mais cedo ou mais tarde, no campo de jogo, onde queremos sempre ver o Inter campeão acima de tudo!



Sandro Farias

Conselheiro do Internacional desde 1998, participante do Comitê de Finanças da Gestão 2000/2001, bem como assessor da vice-presidência de Finanças e da presidência desse período. Bacharel em Direito, Ciências Contábeis e com Pós Graduação em Finanças, atua na área de Direito Tributário. É sócio contribuinte e indicado candidato à presidência do Clube em 2010 e 2012. Primeiro coordenador-geral do Convergência Colorada no período de transição e atual coordenador. Liderou o processo interno de produção do Plano de Gestão 2011-2012 e 2013-2014.

Ainda pelo Clube, colaborou na elaboração e apresentação no Conselho do orçamento de 2000/2001, relatórios de Prestação de Contas do período e na elaboração de Caderno de Estudos fundamentando postulação junto a Conmebol e CBF dos critérios para a Mercosul 2000/2001. Em 2008 participou da Comissão Eleitoral e foi conselheiro da FECI para aquele biênio. Foi membro do Grupo de Planejamento Estratégico 2009-2019 do Inter e participou da elaboração do relatório sobre isenção de tributação municipal do projeto Gigante Para Sempre. 


Twitter: @SandroSFarias
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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Avenida Taquara


“Seu” Abílio, o mago das categorias de base coloradas, faltou ao treino no Estádio dos Eucaliptos, e uma geração de craques da calçada desistiu do futebol profissional. Os anos 80 teriam sido melhores para o Inter? Esta é a pergunta que fica no ar após o teste que nunca foi feito.

Dezembro de 76. Inter quase bicampeão brasileiro. Octa gaúcho. Eu estava na 8ª série do primeiro grau no Anne Frank. Mas queria mesmo era jogar bola. No paralelepípedo irregular, que em graminha aparada qualquer um jogava. Não que eu batesse um bolão, mas não fazia feio. Bom mesmo era o João, corria muito e chutava forte. O Ale era polivalente, marcador aplicado. E tinha o Hermininho, o Antônio, o Titico, o Álvaro, o Kung, o Júnior etc. Difícil lembrar bem o que aconteceu primeiro, mas acho que foi assim. Acho até que aconteceu de verdade.

Amistoso, Brasil x União Soviética (sim, Berlim ainda tinha um muro e Kiev obedecia Moscou). Maracanã, o maior do mundo. Falcão fez o primeiro de cabeça. Passe do Caçapava para o cruzamento do Marinho Chagas pela direita. Zico pintou o segundo. Óleo sobre tela. Perto da meia-lua, recebeu do Batista. Antes da marca do pênalti, o quadro mostrava dois soviéticos jogados pelo chão. Outros dois pareciam ler o Pravda enquanto Zico jogava pinball com os pés. Goleiro de joelhos. Golaço do Galinho. E o YouTube não me deixa mentir (“Brasil 2x0 URSS” na barra de pesquisa).

Pois uns dias depois, lá pela quarta ou quinta partida na calçada, e não no meio da rua – que ainda era dia claro, e de vez em quando passava um carro –, fiz um gol. Para os meus 14 anos, O Gol. Jurei que era igual ao do Zico. Ao menos narrei assim. Pronto. Passei a achar que jogava bola. O João já achava. Que ele, não que eu. Daí para um teste no Inter foi um passo. Ou vários, porque não me lembro bem quanto tempo depois foi que deliramos de vez.

Sacolas com chuteiras a tiracolo, pegamos o T2 rumo ao Menino Deus. Descemos na José de Alencar e subimos a Silveiro a pé. Estádio dos Eucaliptos, o primeiro do Inter cedido para a Fifa. Alguém perguntou o que queríamos. Teste pros “infantos”, respondemos. “Seu” Abílio não veio, tá doente, replicaram. Não tivemos dúvida da decisão a tomar. Fomos embora. Jamais voltamos. Até hoje dizemos que nunca rodamos num teste do Inter. Também nunca passamos, mas isso é um mero detalhe... Merecemos o benefício da dúvida! Levando em conta o que foram os anos 80 para o Colorado, quem sabe se ao menos banco não pegaríamos de vez em quando?

Texto publicado originalmente no jornal Zero Hora, em 31/05/2014

Geraldo da Camino 
Conselheiro colorado, vice-presidente do Conselho Deliberativo do Sport Club Internacional. Procurador-Geral do Ministério Público de Contas do Estado do Rio Grande do Sul.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Por que não o meio termo?

Foto: Israel Heldt

Não é nenhuma novidade que a taxa de ocupação dos estádios no Brasil bem como a quantidade absoluta de expectador por partida é baixa se comparada com ligas de outros países. Se o parâmetro for a Premier League (Inglaterra), Bundesliga (Alemanha), Ligue 1 (França), La Liga (Espanha) e Major League Soccer (EUA) a diferença é gritante. No entanto estamos abaixo de ligas menos tradicionais como a Liga MX (México) Chinese Super League (China) e, pasmem, Championship (segunda liga inglesa). A seguir, uma tabela com dados apresentados pela Pluri Consultoria sobre o ano de 2013.

Liga
Público médio
Taxa % de ocupação média
Bundesliga (Alemanha)
42.646
95
Premier league (Inglaterra)
35.921
95
La Liga (Espanha)
28.616
83
Major League Soccer (EUA)
18.845
91
Liga MX (México)
24.245
53
Chinese Super League (China)
18.740
44
Champoionship (2ª Inglesa)
17.660
67
Brasil
14.950
38

São vários fatores que influenciam na presença de público nos estádios. Podemos apontar entre outros fatores a falta de segurança, dificuldade de acesso, qualidade dos estádios, qualidade do espetáculo e valor cobrado. A que se considerar também que o ano de 2013 foi um ano atípico para o Brasil. Vários estádios estavam sendo reformados, entre eles o Beira-Rio, e os clubes mandaram seus jogos em outras praças. No entanto, os números de anos anteriores mostram que não houve grande diferença. Com a construção de novas arenas e reformas de outras tantas para sediar a Copa de 2014, esperava-se que este ano houvesse um aumento considerável dos públicos nos jogos do Campeonato Brasileiro. Não foi o que aconteceu nas primeiras rodadas. Tivemos público e taxa de ocupação ainda muito baixa. Parece que o fator “novidade” não foi suficiente para alavancar estes dados.

Embora alguns indicadores permaneçam inalterados, como segurança (ou falta de) e qualidade do espetáculo, houve uma melhora no conforto oferecido nos estádios que veio acompanhada de um aumento no custo. Não me refiro apenas ao valor dos ingressos, mas também ao valores praticados no serviço de “catering”, anglicismo usado para designar serviço de comidas e bebidas oferecido nas novas arenas. Embora tenha havido certa melhoria no serviço oferecido, o poder aquisitivo do brasileiro permanece o mesmo. Pelo que ser percebe nestas primeiras rodadas, os Clubes não conseguiram chegar a um ponto de equilíbrio na equação público x preços praticados. Além do desequilíbrio bastante claro, os números do campeonato brasileiro da última rodada, mostram também um diferença de estratégia na definição dos preços. Há Clubes que optam por praticar valores mais caros em detrimento da quantidade de expectadores e outros que optam por ter públicos maiores com receitas proporcionalmente inferiores. A seguir apresento dados do programa “Redação SporTV”.


Jogo
Preço médio R$
Público
Renda
Fluminense x Vitória
13,55
44.875
609.195
São Paulo x Coritiba
16,45
31.886
524.420
Internacional x Sport
34,30
17.974
616.625
Flamengo x Palmeiras
46,76
16.318
763.125

Embora o valor praticado não seja a única variável, salvo melhor juízo, acredito ser o principal fator na definição de público. Principalmente no início do certame em que o aproveitamento de cada equipe não é primordial na motivação de ir ao estádio. Diante disso, defendo a ideia de que os Clubes precisam estar atentos a estes dados bem como devem definir sua estratégia em priorizar a renda ou público, na definição do valor dos ingressos. Como torcedor colorado, gostaria de abrir este debate em relação ao Inter.

Percebe-se que a direção colorada optou pela renda em detrimento do público. Diferente do Fluminense que fez a opção oposta. A mim parece uma estratégia equivocada que pensa tão somente no imediatismo. Prioriza o lucro ao invés de valorizar seu torcedor, razão maior da existência do Clube. Sobretudo os sócios da categoria “Campeão do Mundo” que permaneceram fiéis durante todo o período em que o Beira-Rio esteve fechado para reforma. Para os torcedores não sócios, preços altos desestimulam a ida ao estádio. Preço mais acessível leva mais público ao estádio, torna o espetáculo mais bonito e empolgante, fideliza o torcedor, fazendo com que ele retorne outras vezes, podendo se transformar em sócio. Sem contar que potencializa o consumo de produtos licenciados e serviços ofertados. Não tenho a pretensão de ser o dono da verdade e afirmar que o preço praticado pelo Fluminense é o ideal e tampouco que o Internacional está totalmente errado. Apenas gostaria de levantar o questionamento se não seria este o momento adequado para buscar um ponto de equilíbrio entre o valor do ingresso a ser praticado pelo Inter e o valor que o torcedor está disposto e em condições de pagar. 

Por que não o meio termo?


Adir Carlos Rodrigues 
Sócio colorado desde 1999, matrícula 004406.00 e conselheiro desde 2006. Graduado em Administração, Pós-graduado em Segurança da Informação, Servidor Público Federal. 

 "Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la" (Voltaire). 

Twitter: @adirpoa
Facebook: Adir Carlos Rodrigues

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Respeito aos sócios do Parque Gigante


Na última reunião do Conselho Deliberativo, dentro de assuntos gerais, apresentei algumas questões relativas aos associados Parque Gigante, manifestação esta que depois encaminhei para a administração do Clube.

Ocorre que quando da apresentação da setorização do Estádio Beira-Rio, no seu novo sistema de ocupação, foi assegurado pelo interlocutor da direção do Inter que todos os direitos dos sócios seriam respeitados. Inclusive consta textualmente, na ata desta referida reunião, ocorrida em 14 de outubro de 2013: "A ideia objetiva (...) é seguir exatamente as coisas como elas funcionavam".

Porém, com relação ao associado Parque Gigante, isto não foi observado. Ao contrário: o clube coage esse associado, ao propor o "Termo Aditivo ao Título do Parque Gigante - Acesso de Dependentes a Jogos". No seu item 3, não há como concordar com a cláusula através da qual "o sócio deve abdicar dos direitos relacionados ao ingresso de seus dependentes no Estádio Beira-Rio, e que isso importa em alteração das condições reguladas pelo título de sua propriedade". Torno a repetir: foi dada a garantia de que todos os direitos seriam respeitados. Se todos os direitos serão respeitados, não deve o associado abdicar do seu direito. Não deve o associado abrir mão do seu direito. O direito deve ser respeitado.

No seu item 2, estipula cobrança de mensalidade para cada dependente, ao valor proporcional a 1/3 da mensalidade do titular, equivalendo-o ao sócio "Campeão do Mundo". São dois tipos de associação completamente díspares entre si. O dependente do Parque Gigante é vinculado a um sócio patrimonial, que aportou consideráveis recursos ao clube, na constituição do patrimônio efetivo do Sport Club Internacional, para viabilizar a construção do parque náutico/social, inclusive no qual hoje está localizado o Centro de Treinamentos da equipe profissional de futebol, razão primordial e direi ainda única da própria existência do nosso Inter. O sócio patrimonial, o seu próprio nome diz, tem vínculos profundos com a instituição.

 Centro de Treinamento do Parque Gigante (Foto: Instagram Inter)

O associado Parque Gigante é aquele que paga a mensalidade mais cara ao clube, hoje R$ 140,00, e nesse ponto vejo como já inserido e contemplado um valor pelos seus dependentes, se houverem. Nestes 30 anos de existência do Parque Gigante, sempre havia sido assim, desde o início. Isto entendo que passou a constituir também um direito deste associado, mesmo que por ventura não estivesse expresso na face do título adquirido, o costume e o longo tempo decorrido, desde os primórdios estabelecidos na prática, assim o consolidaram. E nos foi garantido, como condição sine qua non quando da aprovação do projeto de setorização, o respeito aos direitos de todos os sócios.

Os associados Parque Gigante são sócios e não estão sendo respeitados no seu direito. Ademais, o dependente não tem direitos político, nem muitos dos titulares. Não pode votar, nem ser votado, como ocorre com o sócio Campeão do Mundo, que tem todos os direitos reconhecidos. Não é possível equiparar todos os deveres a esse sócio e nenhum direito.

Há uma particularidade do modelo associativo Parque Gigante: seu pano de fundo é a associação familiar, da família colorada, e não uma associação unitária, individual, solitária. Muitos dos dependentes são crianças, menores, aos quais é facultado o ingresso ao estádio sem a cobrança, mediante check in, o que vai de encontro à cobrança que está sendo efetuada atualmente pela direção. E todos sabemos o quanto é importante a presença dessas crianças no estádio, para criar e replicar nelas o hábito que todos temos de ir ao estádio, apoiar o time, de ser colorado.

Diante disso, acredito que o melhor a ser feito é a atual gestão manter as mesmas condições existentes antes do fechamento do estádio para a sua reforma, no que concerne ao acesso dos dependentes de associados do clube modalidade Parque Gigante, mediante check in e com aquisição de ingresso, com desconto de 50%. Que cessem imediatamente as cobranças mensais efetuados a título de "acesso de dependente Parque Gigante", no valor de R$ 35,00 por dependente, com a devolução mediante desconto das mensalidades futuras do titular.

Ainda, que sejam respeitados todos os direitos desse associado, conforme consta do próprio título, expressamente, bem como aqueles direitos adquiridos pelo costume, cessando imediatamente a exigência de aquiescência ao termo aditivo ao título do Parque Gigante para a não cobrança de valores extras relativos aos dependentes.

Por fim, que o Parque Gigante seja mais bem utilizado por todos os colorados, que seja novamente transformado na sede da família colorada, que seja mais bem explorado e usufruído por todos.










Paolo Vitorio Marramarco

Sócio colorado, matrícula 023041-00, integrante do movimento Convergência Colorada e conselheiro eleito desde 2008.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um signo do tetracampeonato: o sorriso vermelho

Rumo ao enea...

Início do segundo tempo da partida final do campeonato gaúcho e não havia espaço no rosto dos COLORADOS. Um sorriso de orelha a orelha.

A fila de pessoas que criticam o campeonato gaúcho é extensa. Aos poucos defensores restou uma frase atribuída ao comentarista Claudio Cabral no sentido de que pior do que ganhar o certame gaúcho é não ganhá-lo.

Os sorrisos a enorme flauta que os Colorados tocaram nos tricolores são superiores a todas as críticas e ganhar o Gauchão em dois grenais tem sabor especial.

No primeiro um resultado histórico na Arena Tricolor. Neste jogo se desenhou a configuração tática para a conquista. A mão, e principalmente a fala de Abel, no intervalo reverteu o 0 a 1 através de 2 gols do questionado Rafael Moura.

O segundo e definitivo grenal mostrou a consistência tática, técnica e anímica do Internacional. O time tricolor comandado por Enderson Moreira não jogou.

O primeiro gol foi muito simbólico; Rafael Moura investe contra a zaga tricolor para disputar a bola. Demonstrou vontade e vigor tático. Capturada a bola teve a consciência e a garra de protegê-la e passar prá quem sabe...D´Alessandro.

Não foi gol. Foi bullying contra a torcida tricolor.

O nosso 10, o COLORADO D'Alessandro fez a torcida encarnada rasgar as cordas vocais pelo grito de gol que no mesmo instante se transformou no maior sorriso do mundo.

O quarto gol foi uma pintura coletiva. Num instante mágico vários autores realizaram o que há de belo neste esporte bretão. Drible, velocidade, passe, chute e gol. Um gol que não foi um acidente. Um gol com os ensinamentos do Claudio Coutinho com o overlaping, o ponto futuro e atletas polivalentes.

De fato o campeonato gaúcho possui um desequilíbrio técnico muito alto entre a dupla grenal e os demais Clubes, entretanto o Internacional cumpriu sua obrigação guardando mais esta taça. O resultado positivo não pode ser base otimista ou ilusória para o Brasileirão. O time ainda tem deficiências prá realmente se apresentar como candidato a um título maior.

Ainda faltam 5 campeonatos pra termos o enea roubado em 1977.

Sobre o campeonato gaúcho este é meu terceiro texto público e arquivado nesta página do Convergência Colorada. Se houver algum curioso que leu até estas últimas linhas recomendo a leitura dos demais por fornecerem minha opinião sobre outros aspectos desta Tradição.

Sou defensor do Gauchão porque acredito que o Rio Grande do Sul também é um celeiro de ases para a dupla grenal.

Vitor Saydelles
Sócio colorado desde 1997, sob a matrícula nº 8970.00, é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, advogando desde 1986. Conselheiro do Sport Club Internacional.

“A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas”. Mario Quintana. 

Twitter: @vitorsaydelles

Pau na concorrência!

domingo, 8 de dezembro de 2013

O Voo da Galinha

Sou Colorado, sempre fui. Sou grato pelo que meu pai fez por mim. Me tornei um colorado e dividi com meu avô esta façanha. Ele falava de um Internacional matador, e também da disputa entre o Colorado e o grande Atlético Mineiro que nos idos de 70 e poucos era um grande time. E tínhamos um Internacional que os outros respeitavam, que do alto dos ombros do meu pai, vi ser tricampeão brasileiro invicto com aqueles caras cabeludos dando alegria à torcida.

Vi um Internacional sendo colocado pela mídia de oito anos atrás como favorito em quase todos os brasileirões, porém nunca o vi ser um time decisivo. Vencemos muitas competições internacionais, inéditas, gloriosas, de incomensuráveis modificações na década de ouro colorada e que nos dá hoje a possibilidade de ostentar taças sonhadas e não por isso inimagináveis, mas quase. Isso nos levou a um patamar singular no Brasil em número de sócios, além de que em breve, teremos um dos mais belos estádios do mundo no coração da capital do Mercosul. Isso deve ser muito bem aproveitado.

Porém, todas as nossas façanhas, conquistas, batalhas e troféus colecionados não nos bastaram para criar um modelo de gestão de futebol, não nos bastaram para acertarmos a mão na construção de uma equipe para disputarmos um dos principais campeonatos do planeta futebol: o Campeonato Brasileiro e seus míseros 38 jogos.

Só que mais um ano esperamos pelo voo da águia e recebemos o voo da galinha, infelizmente.

Todos os anos somos levados a crer que “agora vai” e que “estamos montando uma equipe forte”, mas no final de 6 meses nos deparamos com o voo da galinha. Insuficiente para cruzar a cerca de casa, a galinha não oferece resistência e se torna uma presa passível aos ataques.

Representamos mais uma vez, as galinhas neste brasileirão, não somos uma equipe organizada e sucumbimos diante do poderio de equipes águias, que flutuam na ponta de cima da tabela e tendo que olhar para baixo para nos avistar. Não somos capaz de nos tornarmos uma equipe e somos um amontoado de craques, pois certamente, temos há vários anos a prerrogativa de montar grandes grupos que não obrigatoriamente se tornam uma equipe de futebol. E não quero acreditar que vencemos outras competições, sem saber por quê, e por isso não aprendemos nada.

Equipes de futebol, podemos dizer, são águias ávidas por vencer, por destruir seus adversários e curtirem esse sabor de vitória. O meu clube está longe de ter o sentimento de Águia dentro do seu plantel. Tanto faz vencer ou perder. O resultado para a equipe será o mesmo. Nada muda. Assim nos tornamos galinhas...

O que visivelmente acontece é que perderam medo do Internacional, pois quem tem medo da galinha? Ninguém, e amargamos derrotas para Náutico e Bahia em casa, e empates patéticos com outros clubes como Portuguesa, Ponte Preta,...

Lembro do campeonato da Libertadores do Corinthians e do recente vencido pelo Atlético Mineiro, do Brasileirão do Fluminense e vejo o que eles tem em comum: são águias, são ávidos por vitórias e tem um corpo técnico convicto de suas táticas e estratégias de jogar. Observando cada jogador, a sua real posição em campo, combinando força, velocidade e técnica.

No Internacional é evidenciado a função dos líderes, das estrelas, e reflete a nulação do conceito de equipe, do conjunto,do coletivo. Até se fala do quesito conjunto, mas são palavras ao vento. Porém as vitórias coloradas passaram sim por um conjunto, todas as vezes que a palavra conjunto se materializou, o Internacional se transformou em águia e venceu seus adversários.

A filosofia de vender os novos talentos, que tem velocidade, vontade, gana de levantar as primeiras taças, em detrimento de jogadores com mais de 30 anos, com seus anos pesando no quesito velocidade, acostumados com badalação, com vitórias e taças do passado, parece um erro incontestável, pois o que irá motivar alguém que já está com a vida ganha e taça no armário?

O futebol moderno pede força, velocidade e técnica, não dando espaços para invenções, mas apostando nos melhores em cada posição.

Acredito que nos falta a filosofia de Equipe, dentro de uma direção de futebol profissionalizada que se reúne e se organiza para vencer. Trabalhando todos os sentidos do grupo , um estilo organizacional e técnico, possibilitando aos nossos jogadores encarar a todos com olhos de águia, fazendo os adversários tremerem, sejam pequenos ou grandes times. Isso depende da profissionalização do futebol, sem amadorismos e sem invenções de ocasião. Planejamento tem que ter início, meio e fim. Pensar em correções de rumo se acaso algo não sair como estimado. Mas prever as possibilidades positivas e negativas. Somos o Sport Club Internacional, estar na primeira divisão é imperativo, mas levantar taça e manter nossa senda de vitórias é nossa vida.

Porém, como Colorado espero, para o próximo ano, que venham as águias, que sejam renovados nossos sonhos, mas que não descubramos no final do Campeonato Brasileiro, que não passamos de galinha mais uma vez.


Fábio Ourique
Sócio colorado, conselheiro do Clube e integrante do movimento Convergência Colorada. Administrador de Empresas, especialista em Gestão Pública.


Twitter: @fabioourique
Facebook: fabio.ourique.9

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Futebol Frankenstein

Mary Shelley escritora inglesa do século 19 criou Frankenstein. Obra que permite várias interpretações. 

O Dr. Victor Frankenstein cria com diferentes partes de cadáveres um novo ser. A criatura não deu muito certo. Talvez quisesse ser mais humana, mas foi mal concebida e, durante sua curta vida, mal tratada e incompreendida pelo seu criador.

Frankenstein virou metáfora para o conjunto de equipamentos ou pessoas organizadas para um determinado fim que em decorrência das diferentes partes que compõe o corpo ou conjunto acaba não dando certo para seu objetivo.

Assim vejo a atual organização administrativa do Futebol do Internacional.

Vejo no bem intencionado presidente Luigi a figura de Victor Frankenstein.

Na sua primeira gestão como organizador singular e máximo do Futebol passaram 3 vice presidentes e 4 técnicos no departamento de futebol. Houve troca de profissionais da comissão técnica.

Ao iniciar a segunda gestão não realizou inovações ao presidir o Futebol.

Montou aos pedaços um departamento de futebol que pode ou não dar certo no curto prazo.

Trouxe seu técnico preferido, Dunga, o grande acerto. Paulo Paixão veio pelo acaso por ter sido relegado pelo tricolor do Humaitá. Politicamente extinguiu a figura do vice de futebol e acomodou politicamente 2 diretores e 2 assessores. Recontratou o diretor executivo com o qual antes havia rescindido.

Um Monstro Alvi Rubro.

A pergunta: Pode dar certo?

A Resposta: Quando a bola passa diversas vezes pela linha paralela ao travessão demarcada entre duas traves daquilo que se denomina gol no adversário. Sim, pode dar certo.

Porém Futebol não pode ser mais organizado desta forma. Futebol necessita de planejamento de curto, médio e longo prazo.

Um atleta para jogar como profissional necessita de muito tempo de preparação com trabalho de base.

No médio prazo existem ou existirão fatos que merecem tratamento e organização anterior tais como uma reforma no estádio; a convocação de jogadores do elenco para as seleções nacionais: a venda preparada de atletas; o fim do ciclo de atletas por força da idade.

E no curto prazo deve ser planejado a participação do Clube nas competições que estão à sua disposição.

Para este planejamento o Clube, e não apenas um ou poucos dirigentes, deve estar aberto à novas formas organizacionais, às novas tecnologias, à busca de objetivos estratégicos.

A organização deve ser empresarial mas as regras e conceitos administrativos devem ser adaptados ao conceito centenário de Clube de Futebol.

Clube não tem “cliente”. Tem Torcedor.

Torcedor que se relaciona não com um “produto” e sim com algo subjetivo que é a paixão ao Futebol do “seu” Clube.

Do meu ponto de vista o atual modelo de organização do Futebol Colorado e de outros Clubes é uma Gestão de Crise: 3 resultados positivos ou 3 negativos geram euforia ou crise. Como num passe de mágica tudo está certo ou tudo está errado.

Como são poucas competições para uma cultura que a crise permanente só não existe se o Clube conquistar uma taça o gestor faz somente projetos de curtíssimo prazo. Projetos Frankenstein.

A atual política de contratação de atletas se resume a: “estamos sempre atentos ao mercado”.

É a política do curto prazo sem estar inserida num contexto de planejamento estratégico.

Política que incha o elenco de atletas com altíssimo custo.

Custo que faz o Clube estar sempre correndo atrás de mais recursos.

Daí também sobra o custo para o torcedor com ingressos caros ou para os sócios o aumento de mensalidades.

O torcedor é a parte frágil do Futebol porque paga pela paixão.

A paixão é inesgotável mas o Clube tem o dever de ter sua responsabilidade social. O torcedor deve ser melhor tratado pelos Clubes.

Tenho certeza que os gestores querem acertar assim como o Dr. Victor Frankenstein, mas com o atual modelo onde as partes brigam ou não dialogam com a racionalidade do cérebro o Torcedor fica tão somente à mercê da bola cruzar ou não a linha do gol.

Por gestão com planejamento estratégico, muita transparência e rigor profissional; com democracia da governança corporativa onde as conquistas sejam realizadas por todos que compõe o Clube que inicia no Torcedor e termina no presidente. Não há mais espaço para gestos imperiais que transformam o Clube ou alguns setores em Frankensteins.


Vitor Saydelles
Sócio colorado desde 1997, sob a matrícula nº 8970.00, é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, advogando desde 1986. Conselheiro do Sport Club Internacional.

“A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas”. Mario Quintana. 

Twitter: @vitorsaydelles

Pau na concorrência!