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terça-feira, 24 de junho de 2014

Finanças Coloradas: mais informação, mais responsabilidade

O Internacional volta a publicar em seu site oficial os balancetes contábeis apresentados nas reuniões do Conselho Deliberativo. Trata-se de um acerto da diretoria, em atenção a reiterados pedidos ao clube feitos por integrantes do Convergência Colorada. É um procedimento que consta em nosso Plano de Gestão apresentado aos sócios.

Tanto já era hora de retomar a prática, que recentemente passou a vigorar nova redação da Lei Federal 9.615/98 que, entre outras inovações, reforça a necessidade da transparência econômico-financeira para entidades desportivas sem fins lucrativos.

Acredito que estamos diante de uma valiosa oportunidade de qualificação da gestão do clube de forma permanente, o que afirmo sem desconhecer a importância da preservação de dados estratégicos do nosso Inter, tendo em vista nossa natureza privada, mas com nítidos contornos de entidade pública que temos devido ao interesse que desperta. Sem esta medida a instituição esteve muito vulnerável a “vazamentos” irresponsáveis e uso inadequado de informações financeiras.

Não é de hoje que tenho manifestado minha preocupação com estes aspectos estruturais, defendendo que nosso clube deva ser permanentemente desafiado a inovar, qualificar a gestão corporativa, reduzir gastos, ampliar e diversificar receitas em busca da capacidade de investimento no futebol. A adoção de práticas de governança corporativa, na qual se inclui a transparência com a publicação de informações financeiras é instrumento disto e, tenham certeza, torna-nos mais fortes.

Em produtiva conversa que tive com o Presidente Giovanni Luigi na semana passada, concordamos que aumenta a responsabilidade de todos quanto ao uso de tais dados financeiros. Conselheiros, sócios, imprensa especializada, meio esportivo, enfim, todos devem estar atentos em busca da boa análise das informações. 

Os dados estão sendo divulgados de forma bruta, motivo pelo qual desta medida já se descortina um novo desafio: a preparação de tais informativos numa linguagem didática, com comparabilidade no tempo, cujo entendimento seja claro a todos, gerando sim envolvimento e comprometimento daqueles que querem um Internacional cada vez melhor. Porque tudo, amigos, tudo que fazemos reflete, mais cedo ou mais tarde, no campo de jogo, onde queremos sempre ver o Inter campeão acima de tudo!



Sandro Farias

Conselheiro do Internacional desde 1998, participante do Comitê de Finanças da Gestão 2000/2001, bem como assessor da vice-presidência de Finanças e da presidência desse período. Bacharel em Direito, Ciências Contábeis e com Pós Graduação em Finanças, atua na área de Direito Tributário. É sócio contribuinte e indicado candidato à presidência do Clube em 2010 e 2012. Primeiro coordenador-geral do Convergência Colorada no período de transição e atual coordenador. Liderou o processo interno de produção do Plano de Gestão 2011-2012 e 2013-2014.

Ainda pelo Clube, colaborou na elaboração e apresentação no Conselho do orçamento de 2000/2001, relatórios de Prestação de Contas do período e na elaboração de Caderno de Estudos fundamentando postulação junto a Conmebol e CBF dos critérios para a Mercosul 2000/2001. Em 2008 participou da Comissão Eleitoral e foi conselheiro da FECI para aquele biênio. Foi membro do Grupo de Planejamento Estratégico 2009-2019 do Inter e participou da elaboração do relatório sobre isenção de tributação municipal do projeto Gigante Para Sempre. 


Twitter: @SandroSFarias
Facebook: sandro.farias.50

domingo, 8 de dezembro de 2013

O Voo da Galinha

Sou Colorado, sempre fui. Sou grato pelo que meu pai fez por mim. Me tornei um colorado e dividi com meu avô esta façanha. Ele falava de um Internacional matador, e também da disputa entre o Colorado e o grande Atlético Mineiro que nos idos de 70 e poucos era um grande time. E tínhamos um Internacional que os outros respeitavam, que do alto dos ombros do meu pai, vi ser tricampeão brasileiro invicto com aqueles caras cabeludos dando alegria à torcida.

Vi um Internacional sendo colocado pela mídia de oito anos atrás como favorito em quase todos os brasileirões, porém nunca o vi ser um time decisivo. Vencemos muitas competições internacionais, inéditas, gloriosas, de incomensuráveis modificações na década de ouro colorada e que nos dá hoje a possibilidade de ostentar taças sonhadas e não por isso inimagináveis, mas quase. Isso nos levou a um patamar singular no Brasil em número de sócios, além de que em breve, teremos um dos mais belos estádios do mundo no coração da capital do Mercosul. Isso deve ser muito bem aproveitado.

Porém, todas as nossas façanhas, conquistas, batalhas e troféus colecionados não nos bastaram para criar um modelo de gestão de futebol, não nos bastaram para acertarmos a mão na construção de uma equipe para disputarmos um dos principais campeonatos do planeta futebol: o Campeonato Brasileiro e seus míseros 38 jogos.

Só que mais um ano esperamos pelo voo da águia e recebemos o voo da galinha, infelizmente.

Todos os anos somos levados a crer que “agora vai” e que “estamos montando uma equipe forte”, mas no final de 6 meses nos deparamos com o voo da galinha. Insuficiente para cruzar a cerca de casa, a galinha não oferece resistência e se torna uma presa passível aos ataques.

Representamos mais uma vez, as galinhas neste brasileirão, não somos uma equipe organizada e sucumbimos diante do poderio de equipes águias, que flutuam na ponta de cima da tabela e tendo que olhar para baixo para nos avistar. Não somos capaz de nos tornarmos uma equipe e somos um amontoado de craques, pois certamente, temos há vários anos a prerrogativa de montar grandes grupos que não obrigatoriamente se tornam uma equipe de futebol. E não quero acreditar que vencemos outras competições, sem saber por quê, e por isso não aprendemos nada.

Equipes de futebol, podemos dizer, são águias ávidas por vencer, por destruir seus adversários e curtirem esse sabor de vitória. O meu clube está longe de ter o sentimento de Águia dentro do seu plantel. Tanto faz vencer ou perder. O resultado para a equipe será o mesmo. Nada muda. Assim nos tornamos galinhas...

O que visivelmente acontece é que perderam medo do Internacional, pois quem tem medo da galinha? Ninguém, e amargamos derrotas para Náutico e Bahia em casa, e empates patéticos com outros clubes como Portuguesa, Ponte Preta,...

Lembro do campeonato da Libertadores do Corinthians e do recente vencido pelo Atlético Mineiro, do Brasileirão do Fluminense e vejo o que eles tem em comum: são águias, são ávidos por vitórias e tem um corpo técnico convicto de suas táticas e estratégias de jogar. Observando cada jogador, a sua real posição em campo, combinando força, velocidade e técnica.

No Internacional é evidenciado a função dos líderes, das estrelas, e reflete a nulação do conceito de equipe, do conjunto,do coletivo. Até se fala do quesito conjunto, mas são palavras ao vento. Porém as vitórias coloradas passaram sim por um conjunto, todas as vezes que a palavra conjunto se materializou, o Internacional se transformou em águia e venceu seus adversários.

A filosofia de vender os novos talentos, que tem velocidade, vontade, gana de levantar as primeiras taças, em detrimento de jogadores com mais de 30 anos, com seus anos pesando no quesito velocidade, acostumados com badalação, com vitórias e taças do passado, parece um erro incontestável, pois o que irá motivar alguém que já está com a vida ganha e taça no armário?

O futebol moderno pede força, velocidade e técnica, não dando espaços para invenções, mas apostando nos melhores em cada posição.

Acredito que nos falta a filosofia de Equipe, dentro de uma direção de futebol profissionalizada que se reúne e se organiza para vencer. Trabalhando todos os sentidos do grupo , um estilo organizacional e técnico, possibilitando aos nossos jogadores encarar a todos com olhos de águia, fazendo os adversários tremerem, sejam pequenos ou grandes times. Isso depende da profissionalização do futebol, sem amadorismos e sem invenções de ocasião. Planejamento tem que ter início, meio e fim. Pensar em correções de rumo se acaso algo não sair como estimado. Mas prever as possibilidades positivas e negativas. Somos o Sport Club Internacional, estar na primeira divisão é imperativo, mas levantar taça e manter nossa senda de vitórias é nossa vida.

Porém, como Colorado espero, para o próximo ano, que venham as águias, que sejam renovados nossos sonhos, mas que não descubramos no final do Campeonato Brasileiro, que não passamos de galinha mais uma vez.


Fábio Ourique
Sócio colorado, conselheiro do Clube e integrante do movimento Convergência Colorada. Administrador de Empresas, especialista em Gestão Pública.


Twitter: @fabioourique
Facebook: fabio.ourique.9

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Futebol Frankenstein

Mary Shelley escritora inglesa do século 19 criou Frankenstein. Obra que permite várias interpretações. 

O Dr. Victor Frankenstein cria com diferentes partes de cadáveres um novo ser. A criatura não deu muito certo. Talvez quisesse ser mais humana, mas foi mal concebida e, durante sua curta vida, mal tratada e incompreendida pelo seu criador.

Frankenstein virou metáfora para o conjunto de equipamentos ou pessoas organizadas para um determinado fim que em decorrência das diferentes partes que compõe o corpo ou conjunto acaba não dando certo para seu objetivo.

Assim vejo a atual organização administrativa do Futebol do Internacional.

Vejo no bem intencionado presidente Luigi a figura de Victor Frankenstein.

Na sua primeira gestão como organizador singular e máximo do Futebol passaram 3 vice presidentes e 4 técnicos no departamento de futebol. Houve troca de profissionais da comissão técnica.

Ao iniciar a segunda gestão não realizou inovações ao presidir o Futebol.

Montou aos pedaços um departamento de futebol que pode ou não dar certo no curto prazo.

Trouxe seu técnico preferido, Dunga, o grande acerto. Paulo Paixão veio pelo acaso por ter sido relegado pelo tricolor do Humaitá. Politicamente extinguiu a figura do vice de futebol e acomodou politicamente 2 diretores e 2 assessores. Recontratou o diretor executivo com o qual antes havia rescindido.

Um Monstro Alvi Rubro.

A pergunta: Pode dar certo?

A Resposta: Quando a bola passa diversas vezes pela linha paralela ao travessão demarcada entre duas traves daquilo que se denomina gol no adversário. Sim, pode dar certo.

Porém Futebol não pode ser mais organizado desta forma. Futebol necessita de planejamento de curto, médio e longo prazo.

Um atleta para jogar como profissional necessita de muito tempo de preparação com trabalho de base.

No médio prazo existem ou existirão fatos que merecem tratamento e organização anterior tais como uma reforma no estádio; a convocação de jogadores do elenco para as seleções nacionais: a venda preparada de atletas; o fim do ciclo de atletas por força da idade.

E no curto prazo deve ser planejado a participação do Clube nas competições que estão à sua disposição.

Para este planejamento o Clube, e não apenas um ou poucos dirigentes, deve estar aberto à novas formas organizacionais, às novas tecnologias, à busca de objetivos estratégicos.

A organização deve ser empresarial mas as regras e conceitos administrativos devem ser adaptados ao conceito centenário de Clube de Futebol.

Clube não tem “cliente”. Tem Torcedor.

Torcedor que se relaciona não com um “produto” e sim com algo subjetivo que é a paixão ao Futebol do “seu” Clube.

Do meu ponto de vista o atual modelo de organização do Futebol Colorado e de outros Clubes é uma Gestão de Crise: 3 resultados positivos ou 3 negativos geram euforia ou crise. Como num passe de mágica tudo está certo ou tudo está errado.

Como são poucas competições para uma cultura que a crise permanente só não existe se o Clube conquistar uma taça o gestor faz somente projetos de curtíssimo prazo. Projetos Frankenstein.

A atual política de contratação de atletas se resume a: “estamos sempre atentos ao mercado”.

É a política do curto prazo sem estar inserida num contexto de planejamento estratégico.

Política que incha o elenco de atletas com altíssimo custo.

Custo que faz o Clube estar sempre correndo atrás de mais recursos.

Daí também sobra o custo para o torcedor com ingressos caros ou para os sócios o aumento de mensalidades.

O torcedor é a parte frágil do Futebol porque paga pela paixão.

A paixão é inesgotável mas o Clube tem o dever de ter sua responsabilidade social. O torcedor deve ser melhor tratado pelos Clubes.

Tenho certeza que os gestores querem acertar assim como o Dr. Victor Frankenstein, mas com o atual modelo onde as partes brigam ou não dialogam com a racionalidade do cérebro o Torcedor fica tão somente à mercê da bola cruzar ou não a linha do gol.

Por gestão com planejamento estratégico, muita transparência e rigor profissional; com democracia da governança corporativa onde as conquistas sejam realizadas por todos que compõe o Clube que inicia no Torcedor e termina no presidente. Não há mais espaço para gestos imperiais que transformam o Clube ou alguns setores em Frankensteins.


Vitor Saydelles
Sócio colorado desde 1997, sob a matrícula nº 8970.00, é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, advogando desde 1986. Conselheiro do Sport Club Internacional.

“A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas”. Mario Quintana. 

Twitter: @vitorsaydelles

Pau na concorrência!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

2013: a travessia da conquista colorada

Começa o nosso 2013! Um ano transcendental na história do Inter, um ano de travessia. Ao longo do ano, nosso clube estará jogando longe do Beira-Rio. Enquanto máquinas e trabalhadores estiverem reerguendo este que vai ser o mais estruturado complexo de futebol entre clubes brasileiros, teremos os certames do ano para enfrentar e vencer. Conquistar campeonatos é um vício do qual nunca vamos nos libertar. E novamente, nada, absolutamente nada será conseguido sem a unidade e a força que a nação colorada já deu sobradas e repetidas vezes ser capaz.


Com todo respeito aos demais estádios do Brasil, seja pela potencialidade de exploração que o Novo Beira-Rio vai nos proporcionar, seja por sua posição geográfica inigualável, talvez no mundo, nosso Gigante será incomparável, um marco na vida do Sport Club Internacional, que pela segunda vez em sua história abrigará uma Copa do Mundo.

Ao longo da campanha presidencial insisti que o Inter não precisava ser reinventado, que já havíamos mostrado ao Rio Grande, ao Brasil, a América e ao Mundo que sabemos como fazer um futebol forte e vencedor. E isso passa por uma estrutura que valorize a base, coesa em seu comando e com investimentos responsáveis, que antes da pirotecnia e do individualismo privilegie o coletivo, com atletas e profissionais que saibam bem a dimensão e exigências desta fabulosa maquina vermelha de jogar futebol.

O ano é emblemático, é desafiador! Que a diretoria tenha acerto em suas escolhas, que tenha capacidade de uma conversa franca e clara com os colorados convocando todos para a batalha, sem vaidades nem busca por holofotes. Que inauguremos o Novo Beira-Rio com 150 mil sócios! O momento de estar ao lado do Clube é esse, com paixão e coloradismo! A hora é nossa, requer mobilização e eu não tenho duvidas que a Nação saberá fazer sua parte!

Sandro Farias

Conselheiro do Internacional desde 1998, participante do Comitê de Finanças da Gestão 2000/2001, bem como assessor da vice-presidência de Finanças e da presidência desse período. Bacharel em Direito, Ciências Contábeis e com Pós Graduação em Finanças, atua na área de Direito Tributário. É sócio contribuinte e indicado candidato à presidência do Clube em 2010 e 2012. Primeiro coordenador-geral do Convergência Colorada no período de transição e atual coordenador. Liderou o processo interno de produção do Plano de Gestão 2011-2012 e 2013-2014.

Ainda pelo Clube, colaborou na elaboração e apresentação no Conselho do orçamento de 2000/2001, relatórios de Prestação de Contas do período e na elaboração de Caderno de Estudos fundamentando postulação junto a Conmebol e CBF dos critérios para a Mercosul 2000/2001. Em 2008 participou da Comissão Eleitoral e foi conselheiro da FECI para aquele biênio. Foi membro do Grupo de Planejamento Estratégico 2009-2019 do Inter e participou da elaboração do relatório sobre isenção de tributação municipal do projeto Gigante Para Sempre. 


Twitter: @SandroSFarias
Facebook: sandro.farias.50

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Rojões e trauma auditivo

Rojões e fogos atirados nos estádios de futebol não são novidades. 

Um dos casos clássicos ocorreu no Maracanã num jogo de seleções do Brasil e Chile em 1989 nas eliminatórias para a copa de 1990.

No segundo tempo o guarda-meta chileno Rojas se atirou no campo após visualizar no chão a luz e fumaça de um sinalizador. Cercado por seus companheiros o goleiro se contorcia e logo a cena se abre com muito sangue no seu rosto.

Após a confusão e a discussão sobre a possibilidade do Brasil ser banido das eliminatórias, as investigações através das filmagens demonstraram que Rojas cortou seu rosto de forma proposital. Um belo teatro que lhe causou suspensão do exercício futebolístico.

No lucro ficou a “fogueteira Rosenery” que lançou o artefato da marinha. Seus 15 minutos de fama lhe renderam cachês por fotos artísticas em revistas masculinas.


No derradeiro greNAL do Olímpico dentre vários pequenos-grandes fatos se destacou o do rojão lançado por um tricolor do setor da social do estádio. Num primeiro momento o narrador da Rádio Gaúcha tratou de minimizar o episódio e deu a entender que o preparador físico Flavio Soares, no meio da confusão protagonizada por Saimon e Loss, fingia tal qual o goleiro Rojas.

Com as imagens da televisão ficou demonstrado que o rojão estourou ao lado de Flavio e as diligências para a identificação do torcedor da social do Grêmio foram rápidas porque o mando de campo deste clube fica ameaçado na próxima competição nacional.



Particularmente fiquei indignado com aqueles que desdenharam da impossibilidade de um trauma acústico no preparador físico. Sou portador de zumbido ocasionado por um impacto sonoro, doença incurável que produz eternamente um barulhinho com som de cigarra. Este tipo de acontecimento pode deixar uma pessoa surda.

Felizmente o Flavio Soares passa bem e as informações indicam que sua recuperação não deixará sequelas.

Entretanto acho que nem o som de centenas de rojões é capaz de vencer a surdez do nosso máximo dirigente o Sr. Luigi.

A voz da torcida não é ouvida pela direção.

Esta surdez administrativa preocupa ainda mais porque acompanhada de paralisia dos correligionários do presidente da chapa 1- situação - que concorrerá ao pleito do dia 15 de dezembro.

Na “arca do MIG” existem dezenas de Conselheiros com muita capacitação pessoal e profissional para ajudar a gestão quanto às definições sobre o futebol, mas lamentavelmente estão inertes.

Surdez e paralisia são sintomas que podem levar o Clube a uma doença mais grave num futuro próximo.

É por isto que a Chapa 3 do Convergência Colorada defende uma forte alteração estatutária quanto à forma de gestão do Clube.

O Internacional não pode ficar sob a deliberação de somente uma (1) pessoa ou de um grupo político.

É urgente ao Clube que os princípios da Governança Corporativa sejam adotados a fim de que, além do Presidente, a gestão seja realizada por um Conselho de Administração integrado por Colorados que representem a totalidade da torcida. O Internacional é de todos os Colorados inclusive de todos os integrantes das 6 chapas que disputam as 150 vagas do Conselho Deliberativo.

Rojões e foguetes devem ser lançados com segurança assim com foi feito diversas vezes no passado recente do Beira Rio.

E para voltarmos a ver a festa vermelha com fogos de artifício VOTE CHAPA 3.


Vitor Saydelles
Sócio colorado desde 1997, sob a matrícula nº 8970.00, é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, advogando desde 1986.

“A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas”. Mario Quintana. 

Twitter: @vitorsaydelles

Pau na concorrência!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Palavra do sócio

O Convergência Colorada recebe muitas manifestações de sócios sobre a realidade do Clube. Esta abaixo nos foi encaminhada via e-mail pelo sócio Alexandre Paz Garcia:

Vejo muitos colorados indignados com a atual situação do time e, por que não, do clube. Especialmente, porque nos últimos anos, o Inter passou à condição de postulante a todo e qualquer título que disputou. Mais do que isso, ele, de fato, conquistou a grande maioria deles, alçando o clube a um patamar de visibilidade nunca antes atingido.

Ocorre que, da mesma forma que existe uma explicação para termos chegado aonde chegamos, existe também uma para que estejamos, pouco a pouco, descendo vários degraus nessa escalada rumo à excelência em termos de gestão e de resultados. Penso, então, que os grupos de oposição, cujo expoente maior é o Convergência, devem agir ativamente para evitar que isso aconteça. Esta é a razão do meu contato.

Logicamente, existem vários fatores que explicam o sucesso do Inter ao longo da segunda metade da década passada. Eu me arriscaria a arrolar os principais:

1) O Inter foi o clube brasileiro que melhor soube manejar contratos sob a égide da Lei Pelé, tão-logo ela entrou em vigor;

2) O Inter soube, como poucos, nortear sua política de futebol na premissa da continuidade. Não na continuidade de nomes ou de esquemas de jogo, mas numa continuidade de maior grau de abstração, o que inclui, por exemplo, a venda de grandes jogadores e a sua imediata reposição por substitutos do mesmo quilate;

3) O Inter foi o clube brasileiro que primeiro e de maneira mais eficaz, conseguiu implementar uma campanha bem-sucedida de captação de sócios, atingindo números impensáveis até alguns anos atrás;

4) O Inter teve em campo, em todas as suas grandes conquistas, jogadores motivados a buscar a glória, seja porque jamais a tiveram, seja porque desejavam tê-la de novo. E nisso existe mérito da Direção, que soube garimpar profissionais cuja história apontava no sentido de que assim se comportariam no momento em que o clube disputasse títulos importantes.

5) Por fim, o Inter contou com a sorte. Sim, a boa e velha alea, elemento indispensável em todas as grandes realizações da humanidade. Porque ela é o detalhe que separa o sucesso estrondoso do fracasso retumbante. Como o gol chorado de Nilmar na final da Sulamericana ou o salvador de Giuliano nas quartas da Libertadores de 2010.

Dito isso, fica mais fácil refletir sobre os motivos que ensejam o momento atual de baixo rendimento e de parcos resultados. Eu diria até, que são evidentes estas razões. Basta, para isso, que se faça uma reflexão sobre o atual panorama destes 5 fatores de sucesso arrolados acima.

Quanto aos contratos, pode-se dizer que o Inter é refém de sua visionária política. Porque apostou em ajustes longos, como forma de minimizar os efeitos da extinção do chamado “passe”, garantindo, assim, as receitas provenientes das vendas de seus jogadores. E deu certo.

Ocorre que essa política tem um efeito prejudicial. Porque, ao mesmo tempo em que segura o bom jogador, que só sai por valores satisfatórios, segura, igualmente, o mau. Não são poucos os exemplos de boleiros que comeram e dormiram no Beira-rio por anos e anos, sem aproveitamento satisfatório. E notem que essa proporção vem aumentando. De 2007 a 2010, lembro de Bustos, Gil e Edu, pra citar somente os que ganham salário de 6 dígitos. Mas no elenco atual temos vários, como Marcos Aurélio, Bolívar, Kléber e, porque não, D'alessandro, Dátolo, Rafael Moura, Bollatti, Juan. Vejam a quantidade de jogadores ganhando 200, 300, 400 mil para jogar uma partida a cada dois meses.

Isso quer dizer que, se antes acertávamos 5 para errar 1, hoje erramos 5 para acertar 1. Inverteu-se a lógica e, com isso, a relação custo-benefício do time. A realidade é que, hoje, temos um elenco caríssimo e de baixo rendimento.

Por conta, também, dessa situação, quebrou-se a tal política da continuidade. Nossa esgaçada folha de pagamento já não permite mais substituições à altura dos que saem. Perdemos Oscar e quem veio? Ninguém. Leandro Damião está de malas prontas e, ao que parece, Rafael Moura será a solução. Perdemo-nos em meio ao caos e à pressão inerente a quem busca se manter no topo.

Nossa campanha de sócios encontra-se estagnada. E aqui, na minha opinião, vai a parcela de culpa da torcida para o atual momento. Porque vincular a manutenção da condição de sócio aos resultados de campo não me parece atitude de quem quer o bem do clube. Não entendo, da mesma forma, as ondas de associação deflagradas pela vinda de um grande jogador, como Forlán, por exemplo. Todas elas traduzem, então, uma triste realidade, que é o fato de que grande parte dos ditos sócios do Inter são pessoas interessadas unicamente nas prerrogativas inerentes a tal condição, tais como participar de sorteios e ter prioridade na compra de ingressos.

Ser sócio do Inter, de 2006 em diante, passou a ser vantajoso, bacana, cool. Mas o que se vê é que uma significativa fatia desses pseudo-associados abandona o clube tão-logo vislumbra que os R$65,00 debitados da sua conta mensalmente não trazem vantagem que justifique a sua permanência no quadro social. O verdadeiro sócio, aquele movido unicamente pelo amor ao clube, jamais vinculará esta condição a situações efêmeras como um campeonato ruim ou a contratação de um craque. Sei que muitos discordam, mas essa é a minha opinião.

Dentro de campo, creio que esteja o mais importante de todos esses fatores de insucesso. Mesmo porque o futebol, no final das contas, é feito por quem pisa no gramado e toca na bola. Todos os demais envolvidos são coadjuvantes do espetáculo. Alguns com mais, outros com menos importância. Ainda sim, todos coadjuvantes.

O que se nota no atual grupo de jogadores é uma insolência diante dos objetivos de campo. Talvez porque a grande maioria já tenha conquistado quase tudo, talvez porque careçamos de um grande líder, talvez porque o grupo contemple individualidades cujas personalidades facilitem o atrito em detrimento à comunhão. Ou talvez seja tudo isso somado. A única certeza é o fato de que o time do Inter arrasta-se em campo, como que aguardando o apito final para que cada um tome o seu banho, entre no seu carro importado e vá para casa fazer aquilo que realmente importa, ou seja, cuidar de suas vidas.

Estamos órfãos, ainda, de um treinador experimentado, capaz de liderar o grupo e de introjetar cultura tática num plantel que, em que pese aparentemente desmotivado, possui inegável capacidade técnica. Não é admissível que, nesta altura do ano, não tenhamos um padrão de jogo. O padrão de jogo do Inter, aliás, é não ter um padrão. Nossas jogadas de gol decorrem de lances fortuitos, permeados pela sorte, como em bolas paradas, ou de lampejos de genialidade de nossos atletas multimilionários.

Por fim, é preciso dizer que a sorte não nos tem sorrido ultimamente. Até porque, segundo reza o ditado, a sorte acompanha os audazes. E audácia é tudo que não estamos tendo. E penso que, mesmo que a tivéssemos, de nada adiantaria. Porque a sorte ajuda um time muito bom a ser campeão, mas não um mediano a ser muito bom.

Essas são minhas reflexões sobre o atual momento do Inter. Que segue ladeira abaixo até que a Direção tenha a humildade de reconhecer que estamos na contramão da nossa mais recente senda de vitórias. Não porque tenhamos mudado de rumo, desde 2006. Mas porque o caminho se modificou e nós insistimos em marchar para a direção errada. Ou se corrige isso o mais rápido possível, ou assistiremos ao nosso clube passar por um longo período de escassez de títulos, brigas internas, coadjuvância futebolística, dívidas e, até mesmo, pelo impensável pesadelo do rebaixamento.

Alexandre Paz Garcia – sócio do Sport Club Internacional

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A Guarita 78 e a má gestão no Internacional

Depois que a base naval de Pearl Harbour foi atacada pelos japoneses e quando Bin Laden ordenou a loucura do 11 de setembro o norte americano olhou para seu umbigo e perguntou: como aconteceu?

Nos dois casos o sistema norte americano de defesa havia recebido inúmeros indícios através de várias fontes que tais fatos iriam ocorrer.

As múltiplas informações recebidas na CIA, FBI, Pentágono, Secretaria de Defesa, agentes diplomáticos, dentre outros não foram averiguadas e sistematizadas pelos órgãos de inteligência e posteriormente apareceram na investigação histórica sobre os ataques. Se o sistema tivesse funcionado a História teria registrado em notas de rodapé apenas duas tentativas frustradas de atentados contra a soberania dos EUA.


Pearl Harbour e as Torres Gêmeas não foram resultados do destino, ou da sorte, ou de algo aleatório em que não houvesse possibilidade das suas Previsões. Eles foram planejados por terceiros para acontecer. Falhou o sistema.

O contrário ocorre no Futebol que por ser extremamente dinâmico e com uma altíssima quantidade de variáveis não pode ser previsível. Resultados de planejamento não se observam depois de um ou poucos jogos e seus escores.

O Clube não está rumando para um evento planejado por terceiros.

No Futebol cada um trata de se organizar para as competições. Todos buscam um resultado singular, único, que é o de ser campeão. Alguns Clubes têm mais chances por força da tradição e organização, mas o resultado não é garantido.

O que desejamos do SPORT CLUB INTERNACIONAL é que se prepare de forma organizada para disputar títulos. Para tanto é necessário um bom grupo de jogadores, uma eficiente comissão técnica, que inclui o treinador e auxiliares, e profissionais da preparação física e fisiologia. Tudo dentro de um organograma empresarial e supervisionado por uma competente Direção Política eleita pelos associados.

Desde o fracasso ou fiasqueira contra Mazembe o Clube/Time vem dando vários sinais, várias informações de que está fora do rumo.

Começou com o gol de Kabangu “em cima” do Bolívar.

De lá para cá são inúmeros os erros devidamente registrados pelos Colorados em diversos textos espalhados por aí no mundo virtual.

Espero que este período de erros tenha acabado no pós-jogo contra o Corinthians que treina para o Mundial Fifa.

Enquanto o técnico explicava mais uma derrota, após a melancólica entrevista do Presidente e da notada ausência do vice de futebol, circulava nas redes sociais uma foto de 2011 do Bolívar passeando calmamente pela guarita 78 em Capão da Canoa.

Fernandão afirmou que Bolívar não quis ficar no banco. Bolívar afirmou que não se recusou a jogar.

Falcão, Fernandão e Bolívar inscreveram seus nomes na História Colorada.

Em dois anos os erros administrativos da gestão Luigi mancharam as imagens dos ídolos.

Espero que a última grande contribuição do capitão do Bi da Libertadores, a foto da tranquila caminhada realizada em 2011 em frente à guarita 78 e jogada nas redes sociais para representar o descompromisso dele com o time , seja provocadora para a diretoria reeleita dar um rumo para o Clube.

Que fique claro: Bolívar não tem culpa desta Situação. Os 166 votos do Conselho, sim.

Ele, lamentavelmente, se transformou no símbolo da MÁ GESTÃO na atividade fim do INTERNACIONAL: o Futebol.

Nosso Campeonato agora é o GreNAL.

Nossa senda é a de vitórias e dos feitos relevantes. Que a direção reeleita do Clube veja e analise todos os sinais a fim de que se evite uma tragédia no futuro próximo ou mais distante.


Vitor Saydelles
Sócio colorado desde 1997, sob a matrícula nº 8970.00, é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, advogando desde 1986.

“A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas”. Mario Quintana. 

Twitter: @vitorsaydelles

Pau na concorrência!

domingo, 28 de outubro de 2012

Profissionalização para mais estabilidade no Clube

A cada dois anos, sempre que ocorre eleição para escolher o mandatário do Inter para o biênio seguinte e para renovar 50% das vagas eletivas do Conselho Deliberativo, surge a discussão sobre possíveis problemas decorrentes desta transição política. Discutimos a consequência, mas esquecemos da causa. Isso muda o foco do que realmente é importante debater neste momento que antecede o pleito colorado. 

A profissionalização na gestão dos clubes de futebol no Brasil ainda engatinha. Orçamentos acima de 200 milhões anuais são geridos de forma semiamadora. Há quem diga que já existe uma administração profissional. Confundem remunerar cabos eleitorais e parceiros de grupos que dão sustentação política com profissionalização. Quando muda a gestão, na maioria das vezes, estes “profissionais” são substituídos por outros “profissionais” alinhados com o novo presidente e levam o know-how do período que estiveram no Clube. Outro lado nefasto desta nomeação política é ausência de indicadores de desempenho. A manutenção no cargo ocorre por lealdade ao seu grupo político e não pela capacidade profissional.

Se tivéssemos uma administração profissional com gestores contratados no mercado, especialistas em suas áreas, a história seria diferente. Sem ligação com grupos políticos, as principais áreas do clube como Financeiro, Marketing, RH, TI, entre outras, permaneceriam estáveis na troca do presidente. A permanência dos profissionais estaria associada a sua competência no desempenho de sua função. Ao clube interessa se os resultados e metas estão sendo atingidos e isto pode ser facilmente mensurado. Com estabilidade nas áreas administrativas, o presidente poderia focar naquilo que é mais importante para o Clube, e que é sua razão ser: futebol.

Não há dúvida, que algumas mudanças ocorreram nos últimos anos. Antigamente existiam dezenas de vice-presidências espalhadas pelas diversas áreas do Clube. Eram verdadeiros feudos que não se conversavam entre si por representarem diferentes correntes políticas. Quem era do marketing e pertencia ao movimento “A” não cooperava com o administrativo por que este pertencia ao movimento “B” e assim por diante. Embora externamente, os discursos eram alinhados para manter o status quo. A tão propalada unificação ou pacificação que acalmava os ânimos de quem desejasse ter uma carteirinha de Diretor de Alguma Coisa.

Quando o Convergência Colorada dá tanta ênfase para o profissionalismo não é por acaso. Foi feito este diagnóstico do Sport Club Internacional e foram levantados estes problemas. Mas o Convergência foi além, e apresentou uma solução alternativa e inadiável para esta forma de administração ultrapassada. O resultado pode ser obtido no seu Plano de Gestão. Sugiro a leitura do documento para discutirmos sobre ele nos posts futuros. Nada é perfeito ou acabado e o Plano do Convergência não tem esta pretensão, por isto o feedback é sempre bem-vindo.

É compreensível que o torcedor só se manifeste politicamente após os resultados dentro de campo ao longo do ano. Se ocorrem vitórias, as manifestações são favoráveis ao grupo que comanda o Clube, mas a opinião muda quando as derrotas acontecem. Espera-se, no entanto, que o sócio entenda que o momento para se manifestar é quando existe o processo eleitoral. O resultado dentro de campo é decorrência das práticas administrativas. Por isso insisto na ideia de que as eleições são boas para o Clube, ao contrário do que possa parecer. É a oportunidade de discutir formas de gestão que propiciem um crescimento sustentável ao longo dos anos, seguindo sua senda de vitórias.


Adir Carlos Rodrigues 
Sócio colorado desde 1999, matrícula 004406.00 e conselheiro desde 2006. Graduado em Administração, Pós-graduado em Segurança da Informação, Servidor Público Federal. 

 "Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o ultimo instante seu direito de dizê-la" (Voltaire). 

Twitter: @adirpoa
Facebook: Adir Carlos Rodrigues

domingo, 22 de julho de 2012

Asfixia financeira nos clubes europeus

Por Berenice Corsetti, conselheira do Sport Club Internacional

Em função de atividades acadêmicas, estive duas semanas entre Espanha e Portugal, onde ouvi muita coisa em relação à situação dos clubes europeus que gostaria de compartilhar. O problema de gestão aliado à crise geral na Europa tem sido apontado de maneira muito forte. Os três principais clubes de Portugal - Benfica, Sporting de Lisboa e Porto - devem 400 milhões de euros ao sistema bancário. Apenas o Porto tem conseguido gerar um pouco mais de receitas, graças ao mercado de transferências, mas que não é solução de uma gestão sustentável. 
O destaque vem do Sporting de Braga, que, mesmo não estando entre os três grandes, tem surpreendido pelo que tem conseguido de desempenho nas competições, tendo uma direção que vem adotando ações interessantes de gestão. E ambiciona mais. 
Na Espanha, pelas notícias, a dívida dos clubes é ainda maior, chega a 600 milhões de euros. A crise da Espanha tem atingido muito os clubes que não ficarão livres dos ajustes do governo para tentar tirar o país da recessão. Eles terão que pagar suas dívidas até 2020. Caso contrário, serão expulsos da Liga de Futebol Profissional (LFP) e poderão se extintos.  Do total da dívida dos clubes, 489 milhões de euros referem-se aos times da primeira divisão. A imprensa local relata que a maior dívida é a do Atlético de Madrid: 115 milhões de euros. Na segunda posição, aparece o Barça, com 84 milhões. O Real Madrid não tem dívidas com o governo espanhol.
No restante da Europa Ocidental, o Chelsea é quem se destaca por sua situação um pouco melhor, porém a era do dinheiro farto está com os dias contados. Os gastos com contratações têm sido muito reduzidos.  Não é de estranhar que os jogadores estejam querendo jogar no Brasil. Diante desta situação, fico pensando muito no nosso Inter. Temos um caminho importante a ser traçado na área da gestão.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Descuidos...


Lamentável os acontecimentos da última quarta-feira, no jogo contra o forte Cruzeirinho. As filas eram quilométricas e, para ajudar, havia um número reduzido de catracas, ou roletas, como preferirem.

Aí o sócio chega para entrar no local em que sempre assiste o jogo e, infelizmente encontra o portão de seu acesso fechado. Sim, ele gosta de ir de superior e teve que assistir na inferior. Tudo bem, mais uma vez tomar essa “curva” da administração. Esse mesmo sócio, já irritado com o que lhe aconteceu na entrada, e com o calor, resolve tomar uma água. Chama a vendedora ambulante e recebe a seguinte informação:

“Amigo, não temos mais água pois o ‘pessoal’ não esperava que viesse tanta gente no jogo”.

Então eu pergunto, tem como o cara sair satisfeito do estádio? Impossível... E o pior que não é a primeira vez que acontece essa situação.

E como queremos chegar a 200 mil sócios se não conseguimos administrar 100 mil?  É hora de refletir sobre o assunto.

Abraços,

Rodrigo "Pescossoni"
Conselheiro do Sport Club Internacional

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Gestão do clube e outras características


Por Leonardo Luis Ligabue Cardoso, conselheiro do Sport Club Internacional

Muitos perguntam aos conselheiros do clube o que podem fazer, se podem influenciar algumas práticas ou se de que forma realmente definem os rumos do time. Normalmente, quando recebo este tipo de pergunta, devolvo com uma indagação: “se você reside em um prédio e faz parte do conselho deste prédio, pode influir no que faz o síndico?”. Sempre recebo a resposta: “mas é diferente...”. Então, posso afirmar, não é! O papel do conselheiro é, claro, fiscalizar as ações da gestão do clube, independente do resultado, sem, entretanto, efetivamente envolver-se diretamente na decisão tomada.

Ao conselho cabe, como princípio, fiscalizar as ações e, como regra, deliberar sobre diversas questões que possam afetar diretamente a vida financeira do clube por algum determinado período. No tocante a questões puramente administrativas, estas cabem à gestão definir e adotar as condutas que melhor lhe aprouverem, sem, no entanto, livrar-se de responder diretamente por danos à instituição, perante o conselho. É aqui que entra o papel fundamental do conselho deliberativo. Assuntos como aumentos de mensalidade, gravames em áreas do clube ou em receitas atuais e futuras, antecipações de receita por mais de 4 (quatro) períodos, análise ao balanço do clube e cobrança de informações acerca de decisões tomadas, podendo, até mesmo, punir os responsáveis por má gestão.

Nosso papel é, como se pode ver, fundamental e, ainda, acrescendo ao que mencionei, é nossa função sugerir, quando assim for interessante para o clube, algum tipo de atitude por parte da gestão. Veja-se, não se trata de interceder na gestão, mas de sugerir determinada situação.


Explicado isto, tenho para mim que, além deste papel importante do conselho, é necessário fazer com que o associado influa de forma mais direta na gestão do clube, podendo opinar sobre determinado assunto que possa afetar diretamente a Instituição como um todo. É inserir o associado como parte do mecanismo de gestão. A profissionalização, via de regra, pode trazer esta alteração profunda no mecanismo de administração de nosso clube, dando exemplo para os demais clubes do país. Imagine-se a construção de um novo campo, ou novo CT, a construção de outro centro de eventos, o investimento pesado na obtenção de lucro proveniente de outras atividades que não o futebol (vôlei, basquete, futsal, natação, etc), em que o associado fosse chamado para, através de um referendo, definir se determinada decisão da gestão, de fato, mostra-se adequada ao que pensa o torcedor, a quem pertence o clube de direito. Acredito nesta forma de gestão, uma gestão mais participativa, com princípios de governança corporativa, de certo modo.



Aliás, dentro deste pensamento, porque não um referendo para saber se uma determinada alteração estatutária se faz necessária? Vamos lembrar que, atualmente, em razão das alterações do código civil, não mais cabe ao conselho alterar o estatuto, e, sim, pertence à assembléia geral de sócios esta prerrogativa.

Resolvi trazer este assunto para reflexão e demonstrar que ao sócio também devem ser dados todos os direitos inerentes a sua importância e que ele possa dar-se a mesma importância. Como conselheiros temos obrigação de fiscalizar e sugerir, sem que isto impeça o sócio de, exercendo seu papel, cobrar. Estamos vivendo uma época de grandes mudanças, em que cada vez mais as prerrogativas do sócio devem ser cobradas e este, por sua vez, deve exercê-las para tornar o clube cada vez maior.

Um dos assuntos mais em voga neste momento diz respeito às obras do Gigante da Beira-Rio, às quais entendo são necessárias, sem que isto importe em sacrifícios desmedidos. Obviamente o conforto e a segurança do sócio, mais do que nunca, devem entrar na pauta sim da vida do clube, pois não é mais aceitável permitir que uma pessoa não consiga chegar a um banheiro, em um bar, em dias de jogos com capacidade máxima. Não é mais suportável cobrar do sócio uma mensalidade e não dar o mínimo de qualidade ao mesmo. Todos somos torcedores, mas isto não quer dizer que por ser torcedores o tratamento disponibilizado pelo clube possa ser ruim, causando insegurança e indignação.

Efetivamente, obras são necessárias sim para adaptar o estádio ao futuro, principalmente visando o conforto do torcedor do clube e não para aqueles que vão apenas assistir a Copa. Nosso pensamento tem que considerar o que queremos para depois desta Copa e nos próximos 20 anos. Isto não é tarefa fácil, principalmente se considerarmos a finalidade do clube, que é o futebol e dar alegrias a sua torcida. O que seria melhor? Uma obra construída através de parceria ou totalmente executada pelo clube através de uma autogestão? Somente comparando ambas e, principalmente, sabendo os custos de cada uma é que haverá viabilidade para decidir. Entretanto, um fato é certo: existirão, em ambos os casos, perdas para os sócios e, acredito, estas perdas serão menores do que os ganhos que vamos adquirir com um estádio mais moderno e espaçoso.

Deveríamos ter discutido esta questão ainda em 2009 ou, ainda, antes desta data, visando exatamente isto, o comparativo com o que seria mais viável, traçando estratégias, planejando e pensando o clube em vinte anos. Lamentavelmente, apenas em 2011 conseguimos dar inicio a este debate, com prazos exíguos, pouco material de estudo, análises realizadas apenas depois de fortes cobranças e outros problemas que não cabem aqui ser novamente debatidos.

A lição que fica deste episódio é: o conselho precisa sim exercer seu papel fiscalizador em todas as etapas e na vida geral do clube, sem considerar apenas a política, mas, de fato, o que é melhor para o seu torcedor. De resto, os responsáveis por eventuais prejuízos ao patrimônio do clube, pelo atraso imensurável, devem ser sim identificados e cobrados posteriormente, pois não é crível aceitar tamanha irresponsabilidade. Mudar de idéia, na última hora, não os torna menos culpados, ao contrário, somente demonstra que a preocupação nunca foi com o clube em si, mas apenas com a política velha e surrada feita há décadas dentro dos corredores da Instituição.