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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Recomeço...

Por Leonardo Ligabue Cardoso, conselheiro do Sport Club Internacional

Toda mudança de treinador é um recomeço, um reinicio de trabalho ou, ainda, como no caso do INTER, um recomeço de planejamento, de ideias. Considero assim, pois Fernandão está demonstrando que tem um bom conhecimento do riscado, por suas mudanças e treinamentos. O time parece estar com mais consistência tática, tanto defensiva como ofensivamente, com um toque de bola interessante e algumas aproximações. O reinicio diz respeito a uma reestruturação de departamento, com a contratação de profissionais na área de preparação física, auxiliar técnico, diretoria executiva e, possivelmente, outros. 

Estas mudanças são praticamente um recomeço em meio à temporada, uma alteração profunda em toda uma política de futebol e conceitual com relação ao padrão do time. Com Dorival, o INTER não possuía nenhuma estrutura tática, e o trabalho de preparação física, claramente defasado, colocou em risco o patrimônio do clube, seus jogadores, a ponto do D’Alessandro estar com a terceira lesão muscular seguida! Perdemos o melhor preparador físico do Brasil. Não temos mais diretor executivo. Nosso treinador anterior não preenchia nenhuma das características exigidas para ser contratado e, atualmente, nos encontramos sem centroavante reserva, tudo em razão de uma política inexistente, ou quase inexistente, de futebol, desorganizada e que está refletindo justamente em um momento onde mais precisamos de ORGANIZAÇÃO.

Certamente que os erros cometidos devem servir de aprendizado, de parâmetro com vistas a evitar novas situações deste tipo. Não se limita este problema ao INTER, pelo contrário, todos os clubes passam por problemas semelhantes ou até mais graves, faltando a eles o PLANEJAMENTO que, algum tempo atrás, tivemos. Penso que o sucesso de um clube passa por uma implantação de conceitos fixos e organizados de futebol como um todo, passando pela escolha de uma comissão técnica perene e continuada, formada por profissionais pertencentes ao clube, agregando-se a ela apenas o treinador, nada mais. Ele seria contratado com direito a um auxiliar, devendo utilizar no restante a comissão do clube. O INTER já teve esta situação, que, equivocadamente acabou desmontada.

Tenho certeza que as mudanças hoje realizadas no departamento de futebol acabarão surtindo efeitos tais como a contratação do novo diretor executivo, a manutenção da comissão técnica pertencente ao clube, bem como um maior cuidado no tocante ao próprio grupo de jogadores, evitando a situação pela qual passamos, sem centroavantes no banco para repor o titular cedido à seleção olímpica.

Retornando aos jogos em si, em duas partidas o INTER já está mais organizado do que os quase 10 meses nas mãos do Dorival Júnior, me fazendo queimar a língua com o Fernandão, o qual está fazendo um bom trabalho na função de treinador.

Que siga assim, pois ídolo ele já é, dentro de campo, jogando. Torço para que nosso treinador, FERNANDÃO, também seja nosso ídolo como treinador, quero o TETRA este ano e confio em sua obtenção! VAMO QUE VAMO!

Texto publicado originalmente no blog Arena Vermelha

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Intervir ou não intervir, eis o problema!

Por Leonardo Luis Cardoso, conselheiro do Sport Club Internacional e membro do Convergência Colorada


Em razão dos últimos acontecimentos envolvendo a CBF, principalmente no diz respeito à sucessão da identidade e, principalmente, ao caso Oscar, fui buscar alguns dados na web, em rápida pesquisa, para verificar se em nossa história recente alguma federação sofreu intervenção pelo governo do país.

Sabia de uma intervenção que nada interviu – Chile – e outra, mais recente, no Egito, esta uma verdadeira intervenção, após um massacre de aproximadamente 70 pessoas em um jogo de futebol. No Egito a justificativa do governo foi de que a Federação do país não conseguia organizar os campeonatos e dar segurança aos torcedores, pelo contrário, ela seria um tipo de local de desmandos e lavagem de grana (nem um pouco parecido com a federação brasileira...).

Em recentes entrevistas Joseph Blatter diz que conversaria com o governo Egipcio pois, em sua ótica, o Estado não poderia intervir de forma alguma no futebol, o qual seria algo “intocável”, aliás, acima do bem e do mal... Já nossa querida CBF, apesar dos desmandos, acusações existentes contra seus dirigentes, sequer uma “sacudida” leva.

Após a renúncia do eterno presidente Ricardo Teixeira, em uma manobra extremamente inteligente para evitar a continuidade das denúncias e descoberta de mais podres com relação a CBF e seu bolso, o seu vice mais antigo, aquele da medalha furtada, assumiu a presidência com ótimas referências (repetindo, medalha furtada, denúncias de corrupção quando vereador e dirigente...), esquentando a cadeira para o verdadeiro mandatário, o atual presidente da FPF, Marco Polo Del Nero.

Encerrasse nisto, a sacanagem seria pequena, perto do que está por vir. Notem: no caso Oscar, a CBF rasgou a Constituição Brasileira, a CLT, desconheceu a validade do Poder Judiciário e simplesmente fez tudo para não remover o registro do Jogador Oscar em nome do São Paulo. Nem mesmo estou comentando o caso por ser colorado, pelo contrário, vez que me assusta imaginar que estes indivíduos seguirão tocando a maior entidade de Futebol do mundo, favorecendo alguns clubes em detrimento de outros.

Os abusos cometidos pela Confederação Brasileira de Futebol, desconhecendo a legislação brasileira, só demonstram que passou da hora de uma intervenção estatal no “quinto poder”, pois, seguindo assim, rapidamente o eixo ficará tão forte que caberá aos demais clubes apenas constar no cenário nacional, tal qual uma Espanha, até mesmo uma Itália, com meia dúzia de clubes disputando o título e o resto sendo coadjuvantes de luxo.

Retornando, outra federação que andou sofrendo ameaças de intervenção foi à inglesa, segundo comentários do ministro dos esportes inglês, que deixou clara a contrariedade do governo quanto à organização e administração da liga pela entidade. Seria, então, apenas a CBF intocável? O Deputado Romário, que criticava duramente o antigo presidente Ricardo Teixeira, hoje, curiosamente, apoia o novo, Sr. Marin, que já mostrou ser igual ou pior se comparado com o Teixeirão.

Lamentável, mais uma vez, à postura da CBF, inserindo em sua presidência, repito, uma “marionete” do atual presidente da Federação Paulista, que já declarou a vários outros dirigentes sua assunção a CBF (não diz como, mas, conseguirá).

Falamos muito de profissionalização, melhorias, práticas administrativas mais limpas e pensadas, no entanto, esta não parece ser uma prática possível de adoção pela CBF, faltando-lhe vontade, fora o medo de abertura da caixa preta... Imaginem o tamanho dos escândalos que poderiam vir a tona com uma auditoria.

Acredito que, para normalizar esta situação e buscar uma limpa na Confederação Brasileira de Futebol, apenas com a intervenção do governo e a nomeação de um administrador ou pessoa ligada ao Futebol para assumir a presidência e levantar todos os dados possíveis, para fins de auxiliar na tomada de decisões visando um planejamento da entidade.

Pensando assim, lembro do Fabio Koff e de seu trabalho no Clube dos 13, tendo sido apunhalado pelo seu Grêmio apenas em razão de um contrato de TV nada vantajoso, considerando a divisão de cotas em comparação com outros clubes da Federação.

Possivelmente, pelo trabalho que estava desenvolvendo, seria natural a eleição de Fabio Koff a CBF, até mesmo para tentar moralizar a entidade, ledo engano, enfraquecido, o Clube dos 13 e o nome de seu dirigente foram simplesmente afastados do “mundo” da entidade desportiva administradora de nosso futebol.

A situação da seleção brasileira, que virou um antro de favores, negociatas e empresários, somente comprova os problemas pelos quais a maior entidade de futebol, ou uma das maiores, do planeta passa e continuará vivenciando.

Há possibilidade de intervenção? Sim, acredito que sim. Ela será feita? Atualmente, impossível, ninguém tem coragem para fazê-lo, enquanto isto, vamos assistindo a uma série de desmandos, descumprimento das leis infraconstitucionais e da nossa Constituição. Deste jeito, difícil confessar, mas, Ricardo Teixeira fará falta a CBF...

Quanto à intervenção, mecanismos existem, apesar de a Constituição Federal prever a autonomia das entidades desportivas (art. 217), a regulamentação destas é sua obrigação, e, assim, se esta entidade organizadora estiver sob suspeita de fraudes e corrupção, principalmente em se considerando o interesse público face a disseminação do futebol entre a população, restaria permitida a intervenção, para, organizando, permitir novamente seu funcionamento sem ingerência do Estado.

Existisse seriedade e, talvez, apenas talvez, outro órgão público poderia dar inicio a investigações, todavia, onde está a coragem para tanto? Gostaria de ainda assistir um levante dos próprios clubes contra a administração esdrúxula da CBF, mas, sei, isto é utopia, enquanto isto vamos vivendo de favores, títulos roubados, ameaças, violação das leis de nosso país e por ai vai...

O pior de tudo, o futebol é tão apaixonante que até por isto passamos para seguir amando este esporte.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Contrato assinado, obras recomeçando, futebol ressurgindo!


Por Leonardo Luis Ligabue Cardoso
Advogado e conselheiro do Sport Club Internacional

Contrato assinado, reforma garantida, mais conforto, menos custo para o clube. Bem, este é o novo Beira Rio, agora parte do projeto Gigante para Sempre. Ficam lições deste emaranhado político que o assunto “copa” virou. 

Os políticos de nosso co-irmão, apesar de conhecerem as regras e saber que a copa poderia sair do RS, insistiram em pleitear a copa na Arena, sabedores de que, uma vez escolhida a área e o estádio, a FIFA NÃO MUDA, ou seja, mantém-se o planejamento inicial. A FIFA, para quem desconhece, traça o perfil dos locais onde os jogos vão ocorrer com grande antecedência, elaborando planos de emergência e segurança para todo o traçado ao redor do estádio. Empresas especializadas fazem o levantamento e traçam os caminhos que a entidade deverá seguir. Grande parte da segurança no estádio e em seu entorno é realizada pela FIFA, bem como os atendimentos médicos, os quais são feitos por equipes credenciadas e treinadas pela entidade. Me espanta a irresponsabilidade e o provincianismo que nos absorve com a grenalização de tudo. Precisamos crescer enquanto Estado, mas, para isto, devemos saber que, as rivalidades ficam no campo, no mais, é um besteirol engraçado.

Quero crer que os interesses particulares não falaram mais alto do que o bem comum, interesse este capitaneado por um senhor que é político e explora seu próprio clube para obter votos, é o cumulo da imbecilidade e da sacanagem fazer isto. Pobre da torcida que aceita calada este tipo de situação. A crítica que faço diz respeito à falta de responsabilidade daqueles que tentaram de todas as formas afastar a copa do local escolhido inicialmente tendo como mote o time, enquanto a realidade envolvia votos e dinheiro, com a exploração indevida da imagem de seu clube e de sua torcida. 

Este episódio deveria servir para nos fazer crescer, colorados e gremistas, deixando, repito, para o campo a rivalidade e buscar o crescimento do Estado e melhoria nas condições de vida da população. Minha preocupação, igual forma, diz respeito as mesquinharias e arrogâncias espalhadas por redes sociais, onde torcedores pouco ou mal informados dizem que nosso estádio será levantado com dinheiro público. Esclareço: a construtora obteve empréstimos regulares ofertados pelo pro-copa e deverá pagá-los, junto ao BNDES e bancos particulares. Lamentável a postura, lamentável a desinformação. 

Aliás, para quem não sabe, a ARENA também está dispondo de “dinheiro público”, pois parte de sua verba foi obtida junto ao BNDES e a construtora responsável deverá, também, pagar este empréstimo. Desculpem o desabafo, mas, depois de tanta politicagem e arrogância de alguns, de parte a parte, eu diria, agora quero é futebol! Chega de ocupar todo o noticiário com assinatura, reforma, contratos, quero ver é futebol, ah, e quero ver esta mesma mídia cobrando forte do poder público as obras para os moradores da Zona Sul da cidade, da Zona Norte, enfim, obras que interessam a cidade. A copa é um meio de erigir estas obras, mas, não é o único. Cabe a prefeitura respeitar seus moradores, o que, até o momento, não o fez. Fácil é culpar a copa ou o INTER, difícil é assumir suas próprias responsabilidades.  

Buenas, quanto ao nosso INTER, gostaria de ver uma formação de meio campo ousada com Dátolo pela esquerda, Oscar pela direita, D’Ale no meio armando e Guinazu de primeiro volante, com Dagoberto e Damião no ataque, amassando o adversário e agredindo a todo momento. Time perfeitamente possível de ser montado. Lembro do Boca de 2007, com um meio campo muito parecido com este e com o mesmo sistema, de amassar o time adversário o tempo inteiro, agressão direta e mortal. Imaginem este time que descrevi. Faceiro? Não, nem pensar, Datolo já ocupou o espaço de volante e Oscar foi volante na sub20, qual o motivo de não testar? 

Todos os times vencedores do INTER privilegiavam o ataque, a agressividade, o toque de bola e o gol, sim, o GOL! Quero ver isto novamente, quero o INTER ousado, agressivo, sem cagalhonices, sem escapar as características do nosso time, do nosso CLUBE. Altitude não é desculpa, ATITUDE SIM, esta é importante. Altitude se enfrenta com ATITUDE E VONTADE. O resto é balela e coisa de mimimista! 

 Vamo que vamo meu INTER.

Post publicado originalmente no blog Arena Vermelha.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Gestão do clube e outras características


Por Leonardo Luis Ligabue Cardoso, conselheiro do Sport Club Internacional

Muitos perguntam aos conselheiros do clube o que podem fazer, se podem influenciar algumas práticas ou se de que forma realmente definem os rumos do time. Normalmente, quando recebo este tipo de pergunta, devolvo com uma indagação: “se você reside em um prédio e faz parte do conselho deste prédio, pode influir no que faz o síndico?”. Sempre recebo a resposta: “mas é diferente...”. Então, posso afirmar, não é! O papel do conselheiro é, claro, fiscalizar as ações da gestão do clube, independente do resultado, sem, entretanto, efetivamente envolver-se diretamente na decisão tomada.

Ao conselho cabe, como princípio, fiscalizar as ações e, como regra, deliberar sobre diversas questões que possam afetar diretamente a vida financeira do clube por algum determinado período. No tocante a questões puramente administrativas, estas cabem à gestão definir e adotar as condutas que melhor lhe aprouverem, sem, no entanto, livrar-se de responder diretamente por danos à instituição, perante o conselho. É aqui que entra o papel fundamental do conselho deliberativo. Assuntos como aumentos de mensalidade, gravames em áreas do clube ou em receitas atuais e futuras, antecipações de receita por mais de 4 (quatro) períodos, análise ao balanço do clube e cobrança de informações acerca de decisões tomadas, podendo, até mesmo, punir os responsáveis por má gestão.

Nosso papel é, como se pode ver, fundamental e, ainda, acrescendo ao que mencionei, é nossa função sugerir, quando assim for interessante para o clube, algum tipo de atitude por parte da gestão. Veja-se, não se trata de interceder na gestão, mas de sugerir determinada situação.


Explicado isto, tenho para mim que, além deste papel importante do conselho, é necessário fazer com que o associado influa de forma mais direta na gestão do clube, podendo opinar sobre determinado assunto que possa afetar diretamente a Instituição como um todo. É inserir o associado como parte do mecanismo de gestão. A profissionalização, via de regra, pode trazer esta alteração profunda no mecanismo de administração de nosso clube, dando exemplo para os demais clubes do país. Imagine-se a construção de um novo campo, ou novo CT, a construção de outro centro de eventos, o investimento pesado na obtenção de lucro proveniente de outras atividades que não o futebol (vôlei, basquete, futsal, natação, etc), em que o associado fosse chamado para, através de um referendo, definir se determinada decisão da gestão, de fato, mostra-se adequada ao que pensa o torcedor, a quem pertence o clube de direito. Acredito nesta forma de gestão, uma gestão mais participativa, com princípios de governança corporativa, de certo modo.



Aliás, dentro deste pensamento, porque não um referendo para saber se uma determinada alteração estatutária se faz necessária? Vamos lembrar que, atualmente, em razão das alterações do código civil, não mais cabe ao conselho alterar o estatuto, e, sim, pertence à assembléia geral de sócios esta prerrogativa.

Resolvi trazer este assunto para reflexão e demonstrar que ao sócio também devem ser dados todos os direitos inerentes a sua importância e que ele possa dar-se a mesma importância. Como conselheiros temos obrigação de fiscalizar e sugerir, sem que isto impeça o sócio de, exercendo seu papel, cobrar. Estamos vivendo uma época de grandes mudanças, em que cada vez mais as prerrogativas do sócio devem ser cobradas e este, por sua vez, deve exercê-las para tornar o clube cada vez maior.

Um dos assuntos mais em voga neste momento diz respeito às obras do Gigante da Beira-Rio, às quais entendo são necessárias, sem que isto importe em sacrifícios desmedidos. Obviamente o conforto e a segurança do sócio, mais do que nunca, devem entrar na pauta sim da vida do clube, pois não é mais aceitável permitir que uma pessoa não consiga chegar a um banheiro, em um bar, em dias de jogos com capacidade máxima. Não é mais suportável cobrar do sócio uma mensalidade e não dar o mínimo de qualidade ao mesmo. Todos somos torcedores, mas isto não quer dizer que por ser torcedores o tratamento disponibilizado pelo clube possa ser ruim, causando insegurança e indignação.

Efetivamente, obras são necessárias sim para adaptar o estádio ao futuro, principalmente visando o conforto do torcedor do clube e não para aqueles que vão apenas assistir a Copa. Nosso pensamento tem que considerar o que queremos para depois desta Copa e nos próximos 20 anos. Isto não é tarefa fácil, principalmente se considerarmos a finalidade do clube, que é o futebol e dar alegrias a sua torcida. O que seria melhor? Uma obra construída através de parceria ou totalmente executada pelo clube através de uma autogestão? Somente comparando ambas e, principalmente, sabendo os custos de cada uma é que haverá viabilidade para decidir. Entretanto, um fato é certo: existirão, em ambos os casos, perdas para os sócios e, acredito, estas perdas serão menores do que os ganhos que vamos adquirir com um estádio mais moderno e espaçoso.

Deveríamos ter discutido esta questão ainda em 2009 ou, ainda, antes desta data, visando exatamente isto, o comparativo com o que seria mais viável, traçando estratégias, planejando e pensando o clube em vinte anos. Lamentavelmente, apenas em 2011 conseguimos dar inicio a este debate, com prazos exíguos, pouco material de estudo, análises realizadas apenas depois de fortes cobranças e outros problemas que não cabem aqui ser novamente debatidos.

A lição que fica deste episódio é: o conselho precisa sim exercer seu papel fiscalizador em todas as etapas e na vida geral do clube, sem considerar apenas a política, mas, de fato, o que é melhor para o seu torcedor. De resto, os responsáveis por eventuais prejuízos ao patrimônio do clube, pelo atraso imensurável, devem ser sim identificados e cobrados posteriormente, pois não é crível aceitar tamanha irresponsabilidade. Mudar de idéia, na última hora, não os torna menos culpados, ao contrário, somente demonstra que a preocupação nunca foi com o clube em si, mas apenas com a política velha e surrada feita há décadas dentro dos corredores da Instituição.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Não sou apenas mais um...

Não sou apenas mais um, não somos apenas mais um, somos a torcida, somos o clube, somos o clube do povo...Não estamos aqui apenas para jogar, para participar, estamos para ganhar, para batalhar, para dar sangue, para suar, para correr, para lutar até morrer, porque? Somos o clube do povo.
Podemos deixar de ser o clube do povo? Nunca, uma certa vez me perguntaram “qual a razão da frase “clube do povo” – Eu pensei, pensei, e lembrei de um fato que divido com todos agora:
Certa vez, lá nos idos do início dos anos 90, estava na fila para entrar no estádio, quando um rapaz, com seu filho, ambos vestidos com camisetas surradas, com a escrita borrada, patrocínio da Coca cola, um vermelho desbotado, quase branco eu diria, ficaram próximos e pude ouvir o rapaz dizer algo do tipo “filho, hoje tu vai conhecer nossa casa, nem que pra isto falte comida...” eu realmente acho que o preço da coréia tenha feito faltar comida na mesa dele, da família dele, demonstrando que ali, mais do que uma vontade, estava um sentimento, uma paixão, uma paixão que move multidões, perdendo ou ganhando, chorando ou sorrindo...
O que aprendi com isto? Aprendi que para ganhar, não importa o sacrifico, precisamos fazer!
Precisamos aprender, sem esquecer quem esteve sempre do nosso lado, a nossa volta, que nos apoiou até nos piores momentos, naqueles momentos que não sabíamos o que fazer, entretanto, tínhamos certeza que alguém estaria ali para nos dizer “vai lá...”. Este é o torcedor do INTER, este é o povo colorado. Nas piores horas, nos piores momentos, estávamos ali, ao lado do clube, ao lado do time, gritando urrando nas arquibancadas, mesmo que este urro fizesse apenas um pequeno barulho levado pelo vento...Ainda que naquelas arquibancadas geladas estivéssemos nós, torcedores sem nome, sem rosto, mas com um sentido único, de fazer aquele time, aqueles jogadores, por piores que fossem, parecerem os craques do passado, vestindo aquele manto vermelho que tantos vestiram e fizeram por merecer. Não somos iguais aos outros, nós somos diferentes , diferentes no amor, na fé, na crença, na força, durante tanto tempo apoiamos, batalhamos e lutamos por este clube. Valeu a pena? Sempre vale, afinal, lutar pelo que se ama é prazeroso, é um dever, dever que nossa torcida sabe bem como cumprir. Na segunda-feira, provavelmente, vamos estar escrevendo mais um capítulo nesta história que serve de exemplo para todos os clubes nacionais, mundiais eu diria, pois somos o clube do povo, o povo que sai das arquibancadas e assume seu amor incondicional, com razão, com emoção, para fazer este nosso Sport Club Internacional cada vez maior...
Aguardem, segunda tem mais...mais um capítulo de uma novela que não tem fim...de uma torcida que sempre fez a diferença e vai continuar fazendo...não podemos deixar que seja de um, o sentimento que é de todos...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Qual é o verdadeiro INTER?

Domingo, após uma vexatória derrota em gre-nais, mais precisamente, gre-nais que não sabíamos o que era perder em casa desde 1993, pelo gauchão, comecei a analisar algumas situações que vem se configurando em normalidade, sim, a partir da derrocada de 2007. Pois bem, logo após o Mundial, ainda de ressaca e na esteira desta grande conquista, nosso time foi sofrível, sem vontade e sem gana pela vitória, mas, era normal, segundo os especialistas de plantão, pois depois de toda grande vitória há um relaxamento natural.
Veio 2008, e com ele uma copa Sulamericana, prêmio consolação pela não participação na libertadores, mas que, de certa forma, nos diferencia ainda mais dos demais times, por um motivo simples: nenhum time brasileiro conseguiu ganhar esta competição até a nossa vitória.
Claro, mesmo ganhando este título, nosso time era inconfiável, inconstante. Após esta conquista, imaginamos que estávamos no caminho, que libertadores e brasileirão seriam questão de tempo. Chegou 2009 e com ele um caminhão de esperanças, de anseios...nossa direção apostava forte no time, tínhamos um grupo muito bom, pelo menos no papel e mostramos isto no inicio do ano, com um futebol exuberante, técnico, competitivo, enquanto, claro, o vestiário permitiu. Perdido o vestiário, quase perdemos o ano, pelo tanto que aguardamos por um treinador que mal conseguia decidir se determinado jogador poderia ou não ter folga...que mal definia se um ou outro jogador seriam os titulares. Contratado um novo treinador, o qual simplesmente retomou o comando, conseguimos um honroso vice brasileiro...título que só o Flamengo quis ganhar, pois abdicamos dele quando permanecemos jogando um futebol sofrível, sabendo dos motivos que levavam a isto...
Iniciamos 2010 com uma esperança e uma certeza: a esperança por ganhar nosso bi da libertadores e a certeza que não erraríamos novamente. Ledo engano, os erros do passado ainda batem a nossa porta e cada dia mais fortes,como quem diz “ei, você, vai errar o caminho novamente, pega a outra rua, a outra estrada...”. Mesmo com o aviso piscando, intermitente, parece que mais uma vez o caminho errado será tomado.
Acho que se está dizendo que tudo está errado, mas que erros existem e, sem uma
retomada, sem um acerto de rota, nosso destino é sabido: desclassificação. Não,
não sou pessimista, aliás, sou otimista até demais, acreditava em tudo, só
parei de acreditar em coelho da páscoa, papai Noel...Humildade e Seriedade são
necessárias em qualquer administração, em um clube de futebol, então, é inadmissível
não tê-las. A derrota no gre-nal foi providencial, pois com ela, talvez, e quero acreditar que sim, vamos nos dar conta que nosso grupo não é tão forte, que nosso treinador erra demais e que nosso vestiário está virado na “casa da mãe Joana”...com isto, nossa rota poderá ser alterada e retomada...Por isto eu digo, prefiro perder um gre-nal para demonstrar as carências do time, do que ganhar e continuar me enganando, como alguns dirigentes defendem...
Vamos rumo ao bi da libertadores, tenho certeza, corrigindo nossos erros e quero crer que sabemos quais são e que nada do que aconteceu de 2005 para cá seja mero acaso.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Inspirem-se no futebol...



Começo o texto trazendo uma frase emblemática de Nelson Rodrigues: “Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata”.

Mas, porque esta frase? Explicando: No final de semana, me peguei pensando em diversas situações, relacionamentos pelos quais passei e por relacionamento que meus amigos estavam passando, sempre com algum problema, reclamação daqui, reclamação de lá, arruma aqui, muda ali...enfim, acertos normais de uma vida a dois. Acertos que podem ou não dar certo, todavia, que são tentados por todos, com intuito de continuar uma relação muitas vezes extremamente desgastada, etc. Hoje fiquei sabendo do término de dois namoros, de amigos e conhecidos próximos, o que me levou a pensar até onde as tentativas são válidas e até onde dura o amor entre o casal. Levantei isto porque passei a comparar o casamento ao futebol, é, isto mesmo, este nobre esporte bretão! No casamento/namoro, qualquer erro de um ou de outro gera briga, gera descontentamento, os quais vão desgastando, desgastando, até que tudo chega ao seu final. Um copo fora da pia é motivo pra briga, um talher caído no chão é motivo para derrubar parede...uma cueca largada no quarto então, a mulher pira e nos joga pela janela...e no Futebol? Pensem só, quantas vezes nosso amado colorado nos deixou apreensivos? Ou quase infartando, de tanto que conseguiu errar em uma única partida?
Aquele resultado fácil, barbada, que de repente vira tragédia, vai dizer que não lembram de vários jogos assim?
Em alguns campeonatos nacionais, fazíamos partidas memoráveis contra times do nosso tamanho, e dávamos vexames estrondosos contra lanternas, times da série B...saímos do Beira Rio ou da frente da TV irritadíssimos, xingando a mãe do Badanha...prometendo quebrar à carteira de sócio “que m...esta direção, não faz nada e o time dá este vexame” “não tem mais jeito, trazem todo mundo e a história não muda”. Agora me recordo de um jogo, pela copa do Brasil, contra o polentude, onde ouvi vários amigos dizendo que nunca mais colocariam os pés no Beira Rio, que largariam o time de mão...e uma semana depois novamente estavam lá dentro do estádio, torcendo, cantando “INTER EU TE AMO” e por ai vai.
Quer relação melhor? Ódio e amor fazem parte do futebol, tornam a ligação entre o torcedor e o clube tão forte, que até mesmo “após a morte colorado eu serei”, como diriam alguns, dos quais faço parte, heehhe.
Depois de tudo isto, cheguei à seguinte conclusão: Querem salvar o casamento ou o namoro? Inspirem-se no futebol, foi o que eu disse para alguns amigos, esta relação efêmera entre um clube e seu torcedor, não tem igual. Um dia odeia, no outro ama, eternamente juntos, como diria o saudoso mestre Nelson Rodrigues, com o qual iniciei meu texto “Todo amor é eterno. Se não é eterno, não era amor."


Leonardo Ligabue Cardoso
Conselheiro colorado - movimento INTERnet/BV

domingo, 3 de janeiro de 2010

O grande lider




O Grande líder, será que temos?




Buenas, como praticamente todos os gaúchos, curti o feriado de ano novo no litoral, em meu caso, no litoral norte, no retorno, dentre vários pensamentos, do tipo "esta lesma ai da frente não anda", "pqp, hoje não vou chegar em casa", "que porcaria de calor, vou voltar pro litoral...", um veio a se sobressair, exatamente sobre nosso clube, nosso time para este ano. Lembrei de vários momentos, que por um motivo ou outro acabaram revelando que não temos um grande líder, um comandante em campo, nem mesmo no banco, ou não tínhamos...
Lembrei de alguns grandes lideres, Fernandão, Iarley, Gamarrao próprio Magrão, para lembrar alguns recentes, quando o time estava apertado, passava por momentos ruins, lá estavam eles, levantando a cabeça, dando ânimo pro time, parando a bola, pisando nela, gritando as vezes, chamando o jogo, enfim. Precisa ser craque, não, pelo contrário, ou alguém esquece do Dunga em 1994? Cabeça de bagre, tosco, mas um excepcional líder. Até podemos falar sobre uma ou outra jogada dele, mas ele era tosco, mas um tosco que fazia os craques renderem o máximo. O líder tem que jogar bem, ser o craque, o centro do time? Não, acredito que não, ele pode chamar o jogo pra si ou fazer com que o craque chame o jogo pra ele, dar o incentivo que falta. Parecem pequenas as tarefas, mas, em realidade, são decisivas. Hoje, temos quem com estas caracteristicas? Guiñazu? Não, ele é operário, dedicado, mas não é líder. D'Ale? Não, ele é o craque precisa ser motivado pra chamar o jogo. Bolivar? Também não, falta a iniciativa do líder. Acredito que nosso time, hoje, tenha esta carência, talvez com a chegada do Fossati, ele acabe suprindo este papel. Temos treinadores com estas caracteristicas, vejo isto no Felipão, no Mano Menezes,no Abelão, todos com jeito de líder e grandes motivadores. Precisamos de lideres, são eles que fazem a diferença, são eles que muitas vezes, mesmo sem fazer aquela jogada decisiva, decidem o jogo.
Precisamos de um líder, deste jogador que diferencie o grito da motivação, a ordem da exigência, a briga da cobrança, ou seja, um cara que pare a bola e pergunte "porra, estamos aqui para ganhar ou não? fomos contratados para quê? o que esta torcida está fazendo aqui senão nos incentivando?vamos dar o sangue" e isto vale pra jogo fora também, principalmente, aliás.
Eu apostaria no Giuliano este ano, se ele conseguir se soltar, pois cumpriu muito bem este papel na seleção sub20. E a torcida em geral, apostaria em quem? precisamos trazer alguém com este perfil ou já o temos?
Pois, vejo poucos com este perfil no Brasil, mas, precisamos descobrir alguém, pois em libertadores todo detalhe é importante e este já nos mostrou que é um dos mais decisivos. Bom ano a todos nós e muitas vitórias para o nosso INTER.




Leonardo Luis Ligabue


Conselheiro INTERnet/BV

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Futebol não é tão ilógico assim...

O Futebol não é tão ilógico assim...

Hoje, ou melhor, ontem, presenciamos mais uma cena do "eu disse...", vimos um jogo onde o time que queria ser campeão, sucumbiu ante aquele que pretendia apenas e tão somente continuar fora da "degola". E agora? o que vale mais? ser campeão brasileiro ou escapar do rebaixamento? Buenas, já respondemos isto duas vezes, contra Botafogo e Fluminense.
Terra arrasada? talvez, até mesmo em razão do baixo nível deste campeonato, ou seria outro motivo? Pode-se dizer que os times aprenderam a jogar campeonatos com disputa por pontos corridos, etc. Ocorre que os maiores destaques deste campeonato, são velhos destaques que estavam na Europa e vieram para o Brasil por não ter mais lugar lá, ou simplesmente, jogadores que são bons, apenas isto...
Este campeonato está de enlouquecer, verdade, nas últimas rodadas as surpresas são várias, os times da rabeira da tabela estão incomodando os lideres e os lideres se deixam incomodar, nós? Bem, nós estamos novamente "ressuscitando mortos" no campeonato, deixando de ganhar pontos extremamente importantes, afinal, desde o inicio do ano tinhamos o melhor grupo, sendo este um consenso nacional.
Claro, pouco a pouco este grupo foi sendo desmantelado, Alex, Magrão, Nilmar...Taison decaiu ao extremo durante o brasileirão, passando de um bom jogador e um bom reserva...talvez nem bom reserva...percalços que todos os times acabam enfrentando, sabe-se, durante o ano. Projetamos o título da copa do Brasil, por um ou outro motivo, não conseguimos, mas será que em razão de um título ter sido perdido, deveriamos desmanchar o time, ou, vender seu principal jogador? Elegemos prioridades, certo, ninguém dúvida delas, mas, e sempre há um mas, vivemos do futebol, dependemos do futebol, e não conseguimos fazer com ele tenha sucesso...Vendemos, óbvio, precisamos vender, no entanto, qual o limite para isto? Como qualquer torcedor sempre me questiono quais os motivos que levaram o INTER a derrocada que está vivendo até agora, o que gerou esta fase que fez até mesmo o portão 8 voltar? Me parece que algumas explicações podem nos dar algumas repostas: a saída de um jogador é aceitável, pois o clube precisa de caixa para investir, ok, ok, isto até pode ser entendido. A venda de um jogador médio, ok, ok, também pode ser relevado...se no inicio do ano diziam que nosso grupo era muito bom, e de fato era, abrir mão de um bom jogador e um jogador médio, não faria diferença, afinal, precisavamos manter todo o resto do time, centenário, torcida cobrando, 30 anos sem ganhar um brasileiro, enfim...

Agora, os motivos...Vendemos o craque do time, perdemos o foco em razão da perda da copa do brasil, sem um plano B, sim, um plano B...crise de vestiário...dois jogadores convocados para uma seleção sub 20, poderiamos ter brigado para não deixar nenhum dos dois ir, afinal, disputavamos o título do brasileiro...deixamos um jogador titular ir embora justamente na fase em que ele começava a jogar bem novamente...desestruturamos o time, um treinador medíocre testou esquemas o ano inteiro, para, quando tivesse achado, seus principais jogadores fossem embora...um dos craques do time foi queimado, colocado na fogueira e, quando voltou, novamente foi fritado...talvez isto seja o começo de todos os problemas que nos colocam, hoje, em quinto lugar, num campeonato onde todos os clubes sem exceção vivem altos e baixos. Um campeonato onde o menos pior vai ser campeão, e pasmem, o execrado Celso Roth está comendo pelas beiradas com um time desacreditado...e pensar que nós eramos lá nos meses de março e abril os favoritos para ganhar tudo durante o ano...

Durma-se com um barulho destes, ah, e por favor, se não vamos ganhar nada este ano, pelo menos, temos que manter uma base de time para o próximo ano, reforça-lo e ter a certeza que o ano não acaba em junho...AHH, quase esqueci, em resumo, temos que pensar grande para ganhar algo grande, pensar que um título brasileiro, uma libertadores, valem a pena e obrigam a abrir mão de ganhar com a venda de jogadores...clube existe para torcida e e vice-versa...e a torcida precisa de alegrias...alegrias são títulos e títulos, bem, estes são ganhos...não preciso me repetir...

Postado por Leonardo Cardoso