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quarta-feira, 8 de maio de 2013

UM FEITO RELEVANTE, obrigado tri campeão 2013

Rumo ao enea... 

Em 2012 escrevi um pequeno texto registrado aqui no blog Convergente, sobre o campeonato gaúcho. No ano passado os temas eram os mesmos de hoje: rentabilidade do campeonato, calendário, etc. Nosso Inter disputava a LA12 tal qual este ano disputa o Portoalegrense. E fomos bicampeões.

O Gauchão pode ter vários defeitos, entretanto como repetiu nosso capitão D'Alessandro o campeonato só é ruim para quem o perde.

Ninguém apaga a festa de ontem e a flauta corre solta no máximo até amanhã. Passam rápidas as comemorações. O que custa a passar é um ano inteiro na segunda.

Do campeonato gaúcho de 2013 fica registrado na história o FEITO RELEVANTE consagrado no nosso hino. Um tricampeonato com o time colorado jogando TODAS as partidas fora de casa.

Digam o que quiserem o Gauchão deste ano está inscrito na história não pela forma que os secadores desejam ao discutir um lance bem anulado pelo árbitro. Diga-se de passagem que o time dos secadores não jogava contra o nosso Colorado. A taça definitiva do Gauchão veio com determinação e futebol. Conquistas legítimas não se faz com arrogância e prepotência; se faz com trabalho e respeito à todos os adversários.

E para os mais jovens indico que busquem na história dos Gauchões a final de 1977.

Buscávamos o título de enea campeão que seria a conquista do nono campeonato seguido. No final do jogo o árbitro Agomar Martins, hoje cantor amador, apontou a penalidade máxima contra o Portoalegrense. O zagueiro Oberdan simplesmente peitou Agomar o empurrando para que a falta fosse marcada fora da grande área.

Porque eu lembro daquele grenal? Simples. Fomos escandalosamente roubados. Sei que ainda seremos ENEA CAMPEÕES. Nosso destino nós construímos. Por enquanto vamos curtir o TRI e aguardar o Tetra no próximo outono de 2014 quando até as folhas das árvores ficam avermelhadas.

Vitor Saydelles
Sócio colorado desde 1997, sob a matrícula nº 8970.00, é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, advogando desde 1986. Conselheiro do Sport Club Internacional.

“A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas”. Mario Quintana. 

Twitter: @vitorsaydelles

Pau na concorrência!

terça-feira, 16 de abril de 2013

Gigante Para Sempre e o Gol Iluminado de 1975


As relíquias são objetos que  estimulam a memória. Podem ser históricas ou pessoais. No mundo  a memória histórica se faz com a preservação e exposição de objetos que lembram a cultura, religião, biologia, folclore, etc. Em Turim há o famoso Santo Sudário conceituado como o pano de linho que teria recoberto Cristo. Na famosa Praça Vermelha de Moscou  está preservado o corpo mumificado de Lenin. Portanto, até na fé da religião ou da ideologia política encontram-se relíquias.

No Futebol é a mesma coisa. Estão aí  os museus com taças, bolas, uniformes, flâmulas.

O Sport Club Internacional já tem seu museu e o Beira Rio, em que pese a reforma, ainda guarda suas relíquias.

Movido por uma incontida saudade bem como pelo dever de fiscalização, na belíssima manhã outonal do dia 13 de abril, fiz parte de uma delegação de conselheiros integrantes do Movimento Convergência Colorada em visita às obras do Gigante para Sempre.

O estádio  apresenta novos espaços.

Houve, finalmente, a união da Coréia com a Geral . Para quem frequentou estas duas áreas posso afirmar que o espírito colorado se mantém. Ainda que o estádio esteja em obras sua alma não sai dali e, mesmo num Beira Rio vazio, o Colorado que visita sua casa sente a  emoção  da paixão vermelha.

A história do Internacional é marcada por vários fatos marcantes.

Particularmente me lembro quando estava no estádio no dia 14 de dezembro de 1975, sob o já não existente Boné do Beira Rio,  quando Valdomiro  bateu a falta e, parado, como numa foto, Figueroa, cabeceou a bola fora do alcance do grande arqueiro Raul.

O um a zero que sagrou o campeão brasileiro de 1975.

O um a zero que colocou o Rio Grande do Sul no mapa e na história do futebol brasileiro cuja condução política e administrativa até os dias de hoje insiste em polarizar o futebol somente em RJ e SP, mas isto é outro tema.

Lembro do GOL ILUMINADO.

Naquele momento o mais belo por do sol   do planeta, guardadas as proporções da nossa humildade, começava a dar cores ao nosso Guaíba e, um facho de luz formando um sendero vermelho iluminou um pedaço de campo. O ponto exato do cabeceio de Don Elias.

Existem fotos e filmes daquele movimento e daquela luz.

Até o final dos tempos haverá este registro.

Daquele jogo a minha lembrança física era  o ingresso que guardei com carinho mas que se perdeu nas mudanças da vida.

O ingresso era minha relíquia.

Mas as relíquias não podem ser  de um único dono.

Daí convoco TODOS OS COLORADOS  para ajudar na campanha de guardar este momento  através de outra relíquia.

Desejo simplesmente que preservem a JANELA DO GOL ILUMINADO.

Uma janela simples de esquadria de ferro que ainda está ali sobre as cadeiras.

Apenas uma janela.

 A janela que permitiu que um raio de sol iluminasse o gol que mudou a história do nosso Clube.

O Estádio renovado é um presente  para a Maior Torcida mas pequenos pedaços ou relíquias podem ser preservadas.

Em 2075 quando torcedores passearem pelo estádio um dos pontos de parada será a  observação da janela, da sua luz imaginária com foco no Figueroa e, ainda que a nova cobertura traga outras luzes, outros ventos, outros sons, a janela será um portal que unirá as gerações vermelhas.

É isto: Preservem aquela janela.


Vitor Saydelles
Sócio colorado desde 1997, sob a matrícula nº 8970.00, é bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, advogando desde 1986. Conselheiro do Sport Club Internacional.

“A resposta certa, não importa nada: o essencial é que as perguntas estejam certas”. Mario Quintana. 

Twitter: @vitorsaydelles

Pau na concorrência!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Glória e Honra: o time que não queria perder

Por Mário Cesar Cassel, conselheiro do Sport Club Internacional


Nos dias de hoje, em que quase todos os atletas de futebol almejam buscar euros no Velho Continente, às vezes nos deparamos com situações insólitas como a do jogador brasileiro Rafael. Na final dos XXX Jogos Olímpicos, de Londres, depois de entregar o primeiro gol para os mexicanos, ficou indignado com a reclamação do companheiro Juan por ter quase entregue mais uma oportunidade para os mexicanos nos últimos minutos de jogo. Posteriormente, depois de ser substituído, aparecia no banco de reservas como se nada houvesse acontecido.

 Bem diferente foi a posição dos jogadores da equipe ucraniana do Start FC, que preferiram a morte a entregar um resultado para a Seleção de Futebol das Forças Armadas da Alemanha. Você conhece esta história? Vamos ao fato.

Com a invasão nazista na União Soviética, durante a Operação Barbarossa, em 22 de junho de 1941, a Ucrânia (um dos países que compunham as Repúblicas Socialistas Soviéticas) foi tomada pelas tropas do Exército Alemão, que levou milhares à morte e aos campos de concentração. Centenas de presos soviéticos foram liberados nas ruas de Kiev, porém era proibido a eles trabalharem, podendo apenas ficar vagando na mais cruel das situações, famintos e esfarrapados).

Kiev, após ataques


Na capital Kiev, havia um clube de futebol (o mais popular daquele país) chamado Dínamo FC, que, como tudo que acontecia no país, parou de funcionar. Ninguém sabia onde foram para os seus jogadores – nem podiam se preocupar com isto. Certo dia um torcedor fanático pelo Clube, Josef Kordic – de origem alemã, dono de uma padaria e que tinha caído nas graças dos oficiais nazistas, encontrou esfarrapado e faminto o goleiro que tantas vezes aclamava nos memoráveis jogos do Dínamo e que, inclusive, tinha lhe dado um autógrafo há poucos anos. Levou-o para sua casa, saciou a sua fome e lhe deu roupas descentes. No dia seguinte, ele estava trabalhando na limpeza da padaria, onde também passou a residir.

Conversando com Nicolai Trusevich – este era nome do goleiro, soube que vários de seus colegas de Clube estavam na mesma situação que ele fora encontrado no dia anterior. Josef Kordic fez, então, que o goleiro passasse a procurar um a um os demais jogadores. Passadas algumas semanas, oito atletas do elenco do Dínamo e três do Lokomotiv estavam trabalhando na padaria, tendo sido achados nas ruas de Kiev e em outras cidades da cercania. Nosso “Oscar Schindler” começa a desafiar os nazistas para jogos contra o time de sua padaria. Os “empregados” da padaria trabalhavam pela manhã e treinavam à tarde. Estava fundado o Start Foot-Ball Club (Start era o nome da padaria).

O Start e um de seus adversários

Os nazistas aceitaram o desafio, acreditando que poderiam atrair a simpatia dos moradores locais. No entanto, começa aqui um caminho tortuoso que acabaria mal. Depois de conseguirem uniforme para o time (camisetas vermelhas e calções brancos. Nota: que coincidência...), no dia 7 de junho de 1942 fizeram seu primeiro jogo. Embora estivessem mal fisicamente – por um ano de fome e condições adversas, venceram uma guarnição húngara por 6 x 2. Na seqüência, jogaram contra uma guarnição romena, com nova vitória por 11 x 0. Depois, foram mais quatro jogos contra outras equipes, todos vencidos de goleada (Start 9 x 1 Militares Operários Alemães da Estrada de Ferro; Start 6 x 0 PGS; Start 5 x 1 MSG; Start 3 x 2 MSG, na revanche).

Em 6 de agosto de 1942, o Start FC joga pela primeira vez contra uma equipe do Exército Alemão. O adversário foi o Flahelf (Os 11 da Artilharia Antiaérea). Era a chance da vingança. O jogo disputado no Zenit Stadium foi muito violento por parte dos alemães, que se aproveitaram do fato que o árbitro era um oficial nazista. Antes do início do jogo os atletas perfilados deveriam fazer a saudação nazista: os atletas do Star se negaram a realizar tal ato. Ao término do primeiro tempo a vantagem era do Start por 2 x 1. No intervalo, a equipe recebeu em seu vestiário a presença de alguns oficiais nazistas que sugeriram que perdessem o jogo. Voltaram a campo e após os 45 minutos finais o placar apontava 5 x 3 para o Start, sendo que no último minuto do jogo o dianteiro Aleksei Klimenko passou pelos zagueiros alemães e pelo goleiro e, quando todos pensavam que ele entraria gol a dentro com a bola, ele parou sobre a linha de gol e deu chute para ..... o centro do campo. E o Zenit Stadium veio abaixo!

O Start jogaria ainda mais uma partida, ganhando de 8 x 0.

A partir daí, os jogadores começam a ser caçados pelos nazistas. Nikolai Korothykh foi o primeiro a morrer, em 17 de agosto de 1942, há exatos 70 anos; depois de serem presos, os outros 10 jogadores foram levados para o campo de concentração de Sirtez; a seguir, Ivan Kuzemko foi executado por uma brigada alemã; orgulhoso com o que tinham conseguido, Alexsei Klimenko foi assassinado a sangue frio no pátio do campo de concentração; no dia seguinte seria vez do goleiro Nikolai Trusevich. A partir daí, foram assassinados Georgy Timofeyev, Pavel Komarov, Vasiley Sukharev, Mikhail Putistin e Mikhail Melnik.

Quando o exército de Stalin derrotou os nazistas poderia se pensar que o inferno para aqueles jogadores havia acabado, mas não foi assim... Os jogadores foram acusados de colaborar com os nazistas, fornecendo-lhes pão e jogando futebol com o inimigo durante a guerra. Os três jogadores sobreviventes – Makar Goncharenko, Feodor Tyutchev e o reserva Sviridowsky, depois de julgados, foram deixados em liberdade com a promessa do mais absoluto silêncio sobre o assunto.

Tempo passou e aquelas pessoas que assistiram ao jogo de 6 de agosto de 1942 passaram a ter passe livre em todos os jogos do Dínamo de Kiev. Os atletas do Start F. C. passaram a ser considerados heróis da pátria, havendo monumentos aos mesmos em várias partes do país. No Estádio do Zenit existe um monumento com os dizeres: “AOS JOGADORES QUE MORRERAM COM A CABEÇA EM PÉ DIANTE DA INVASÃO NAZISTA”: 


Em 1981 o Zenit Stadium passou a se chamar Star Stadium. Esta história rendeu vários filmes: 

- DOIS MEIO-TEMPOS NO INFERNO: húngaro, 122 minutos, 1961, Zoltan Fabri;
- TERCEIRO TEMPO: russo, Mos film, 1962, (sem outros dados);
- FUGA PARA A VITÓRIA: americano, 1982, (adaptação da história), Paramount, 117 minutos, década de 80, John Huston. O s papéis principais: Michael Caine, Sylvester Stallone, Max Von Sidow, Daniel Massey, Pelé, Bob Moore, Osvaldo Ardiles.
MATCH: russo, 2012, Andrey Maliukov

 

 
 Episódio reproduzido no cinema.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

As cadeiras da discórdia


Por Adalberto Gonçalves, conselheiro do Sport Club Internacional

Em 2009, ao findar aquela maravilhosa festa realizada no Gigantinho por conta dos 100 anos do Clube na saída recebi dentro de uma embalagem acrílica,  um pedacinho pequeno da então arquibancada do Estadio dos Eucaliptos. Achei o recebimento daquele pequeno mimo, uma das coisas mais originais que vi,  dentro de todo aquele circuito de atividades comemorativas ao Centenário do Clube.

Lembrança entregue na Festa do Centenário

Por pertencer a um núcleo de colorados que estavam e ainda continuam preocupados na valorização da história do Clube, aquela peça em forma de matéria, deu uma  forma de lembrança dos  feitos reais  que não são palpáveis, mas que seria certamente a imagem de um local que certamente trouxe alegrias e tristezas e que forjaram  através dos tempos, o orgulho de ser um  torcedor colorado.


Dias antes das comemorações se não me engano, discutíamos sobre o sumiço do portão do então mesmo Estádio dos Eucaliptos (lembro de um texto do Guilherme Mallet sobre o assunto em Janeiro de 2009 - http://bolavermelho.blogspot.com.br/2009/01/quem-se-importa-com-o-passado.html), peça essa que imaginávamos na época, seria ideal para  então ser colocada no Museu colorado. Qual foi a surpresa que um tempo depois o mesmo portão havia sumido, para depois de um tempo ter sido encontrado embora reformado e com a perda de identidade original da peça, sendo colocada numa daquelas passagens de mureta, próximo ao Gigantinho e que dá acesso ao estacionamento da EPTC.

Passado o tempo de venda da área dos Estadio dos Eucaliptos, fiquei pensando que poderiam aproveitar e continuar aquela idéia do pedacinho de concreto dentro do acrilico, quem sabe até mesmo num aproveitar o desejo de continuidade de captação de associados e que  a cada associação pudessem repassar um mimo daqueles, de valor histórico imensurável.

Lembrança virou produto para venda.

Há poucos dias, vi que o Clube ou algum parceiro negocial, criou uma imagem do Saci com uma pedrinha da arquibancada na mão, criando uma espécie de rentabilização da tal peça , atitude essa que não reprovo, embora acredite que uma ação de troca x associação, ficaria algo bem melhor.

Minha surpresa e de certa forma desejo, foi ver que algo parecido com minha idéia de proposta  foi realmente aproveitado pelo então grupo vencedor da licitação de compra da área dos Eucaliptos, a Melnick Even, que numa ação de marketing criado para talvez a captação de interessados em adquirir imoveis do empreendimento a ser construído onde era o estádio , recebiam um naco de tamanho considerável  envernizado de parte da estrutura do Estádio dos Eucaliptos.

 Melnick Even fez o que nós deveríamos ter feito.

Recentemente, mais uma ação que a principio achei que também poderia ser aproveitado naquele toma lá da cá em troca de associações, as cadeiras plásticas retiradas, também num primeiro momento foram colocadas a venda primeiramente em unidade e depois em pares. Não faço a minima idéia da oferta x procura pelo(s) item (ns). Mais uma vez ao meu ver, o trabalhar com o sentimento, passou a ter um valor.


Cadeiras plásticas também colocadas a venda.

Com a extração das cadeiras metálicas, finalmente veio aquele afago que sempre pensei do qual o  torcedor pudesse ser contemplado, na então não comercialização , mas sim  cedência aos interessados por aquelas cadeiras "personalizadas" e companheiras , das grandes conquistas coloradas no Gigante,  indepedente do seu período de associação.

Tudo lindo maravilhoso, mas que infelizmente não funcionou 100% e toda aquela expectativa criada nesse gesto bacana, foi transformado psara muitos, em frustração. Pior do que a própria frustração do extravio de cadeiras personalizadas , foi o saber da fraca informação acerca do que realmente aconteceu com as tais de entregas das cadeiras solicitadas. Segundo relatos de colegas , a desculpa mais fácil, foi de colocar na conta de quem fez a retirada delas , a então Construtora Andrade Gutierrez.

Fiquei estupefato ainda com o relato de um colega, que foi em busca de informações do porque do extravio de sua cadeira, tendo em vista que atendeu todos os pré requisitos ditados pelo Clube para o procedimento de retirada, onde primeiro na parte relativa ao atendimento do CAS a informação condicionava a algo, como se o torcedor tivesse o "bom senso" quanto ao problema ocorrido e mesmo com a insistência foi recomendado ir a Ouvidoria do Clube, onde lá, para sua surpresa , encontrou o mesmo discurso. Ao mesmo tempo que  relatava o passo a passo dos acontecimentos, não tinha nem sequer de forma sistemática da qual uma ouvidoria tivesse de agir, ter sua solicitação de reclamação num primeiro momento ter sido anotada, algo como se quizesse dizer, não adianta nem eu anotar, o senhor tem de entender que blá blá blá.

Me solidarizo com os dois amigos, que sei do caso e do sentimento de frustração de uma coisa aparentemente simples e banal. Mas que  ao não ter algo da forma como lhe foi proposto e ofertado ter sido atendido, mesmo que tenham seguido todos os passos e prazos informados pelo Clube, mesmo que o excesso de ações como check in e novas associações possam ter contribuido, pode ser certamente tudo muito bem explicável, mas nada certamente justificável.

Publicado originalmente no blog Arena Vermelha.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Jogos Olímpicos e Ode ao Esporte


 Por Mário Cesar Cassel, conselheiro do Sport Club Internacional


Estamos prestes a iniciar os Jogos Olímpicos de Londres! Aproveito, então, para resgatar a história do criador dos Jogos e presidente do Comitê Olímpico Internacional (1896-1937), Pierre de Coubertin, também conhecido como Barão de Coubertin.

Pierre nasceu em Paris, no dia 1º de janero de 1863. Passou a infância na Normandía. Em Paris cursou Ciências Políticas. Decidiu dedicar sua vida a pedagogia, pensando na reforma da educação da juventude francesa. Criou o Movimento Olímpico, renovando a tradição antiga. Para ele, o “Olimpismo” era indissociável da Cultura, por desenvolver a educação ao mesmo tempo que o corpo.

Em 1894, organizou um congresso internacional na Sorbonne em que propôs que fosse reinstituída a tradição de realizar um evento desportivo internacional periódico, inspirado no que se fazia na Grécia antiga. Este congresso levou à constituição do Comitê Olímpico Internacional, do qual o barão de Coubertin seria inicialmente secretário geral. Foi também decidido que os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna teriam lugar em Atenas e que a partir daí, tal como na antiguidade, seriam realizados a cada quatro anos (uma Olimpíada).
Após os Jogos de 1896, Colbertin tornou-se presidente do COI até 1924 e manteve-se como Presidente Honorário do COI até à sua morte em 1937 em Genebra. Foi enterrado em Lausane (local da sede do COI), mas o seu coração está sepultado separadamente, num monumento perto das ruínas da antiga Olímpia. Coubertin  compôs a “Ode ao Esporte”. Vale relembrá-la:

I Oh! Esporte, prazer dos Deuses, essência da Vida, tu apareceste de súbito, no meio da clareira cinzenta, onde se agita o labor ingrato da existência moderna, como o mensageiro radioso das idades passadas, dessas idades em que a humanidade sorria. No cimo dos montes, um clarão de aurora desceu, e os raios de luz mancharam o solo das sombrias florestas.

II Oh! Esporte, tu és a Beleza! És o arquiteto deste edifício que é o corpo, que pode tornar-se abjeto ou sublime, se degrada na vileza das paixões ou saudavelmente se cultiva no esforço. A Beleza é impossível sem equilíbrio e sem a proporção, e tu és o mestre incomparável de um e de outro, porque geras a harmonia, ritmas os movimentos, tornas a força graciosa e dás poder ao que é submisso.

III Oh! Esporte, tu és a Justiça! A equidade perfeita, em vão perseguida pelos homens nas instituições sociais, estabelece-se por si própria, à tua volta. Ninguém poderia ultrapassar, de um centímetro que fosse, a altura que ele permite saltar, nem de um simples minuto o tempo que ele permite correr. São as suas forças físicas e morais combinadas que determinam o limite do seu sucesso.

IV Oh! Esporte, tu és a Ousadia! Todo o sentido do esforço muscular se resume numa única palavra: ousar. Para que serviriam os músculos, que utilidade teria o sentir-se ágil e forte, o cultivar a força e a agilidade, se não fosse para ousar? Mas a ousadia que tu inspiras nada tem da temeridade que anima o aventureiro, que arrisca, ao simples acaso, tudo o que tem. Porque é uma ousadia prudente e refletida.

V Oh! Esporte, tu és a Honra! Os títulos que tu conferes não têm qualquer valor, se adquiridos por meio diferente da lealdade absoluta e do perfeito desinteresse. Aquele que, por artes inconfessáveis, consegue enganar os seus camaradas, acaba por sentir a vergonha, no mais íntimo de si próprio, e temer o epíteto infamante que ficará ligado ao seu nome, se descoberta a fraude que o beneficiou.

VI Oh! Esporte, tu és a Alegria! Ao teu chamamento, o corpo alegra-se, os olhos sorriem e o sangue circula, abundante e rápido, nas artérias. O horizonte dos pensamentos torna-se mais claro e límpido. Mesmo àqueles a quem a tristeza afeta, podes levar a salutar distração das suas penas, e aos felizes facultas a plenitude da alegria de viver.

VII Oh! Esporte, tu és a Fecundidade! Por vias diretas e nobres, encaminhas ao aperfeiçoamento da raça, destruindo os mórbidos germes e corrigindo as taras que a ameaçam, na sua pureza indispensável. Inspiras ao atleta o desejo de ver crescer, à tua volta, filhos bem vivos e robustos, que lhe hão-de suceder na arena, e ganhar, por sua vez, festejados louros.

VIII Oh! Esporte, tu és o Progresso! Para bem te servir, é necessário que o homem se aperfeiçoe, no corpo e na alma. E tu impões-lhe o cumprimento duma higiene superior e o afastamento de todo o excesso. Ensinas-lhe as regras sensatas que hão de lhe permitir no seu esforço o máximo de intensidade, sem comprometer o equilíbrio da saúde.

IX Oh! Esporte, tu és a Paz! Estabeleces relações felizes entre os povos, aproximando-os no culto da força dominada, organizada e senhora de si própria. Contigo, a juventude universal aprende a respeitar-se, e assim a diversidade das qualidades nacionais torna-se a origem duma generosa e pacífica emulação. 

terça-feira, 6 de março de 2012

O clube mais antigo do mundo

Por Mário Cesar Cassel, conselheiro do Sport Club Internacional

Peço licença aos amigos colorados para falar aqui de um outro clube, para assim contar um pouco da história do nosso esporte. E que é sempre bom preservá-la.

Início da segunda metade do século XIX, os clubes e desportistas britânicos vinham se dividindo em relação ao jogo mais violento (o rugby), jogado quase que exclusivamente com as mãos e com muitos encontrões, e  um outro (ainda sem nome), em que tocar a bola com as mãos não era aceito.

William Prest e Nathaniel Creswick – amantes do críquete, preocupados com as condições climáticas que dificultavam a prática durante o inverno (o esporte é de pouca movimentação), concluíram que a prática esportiva recomendável para este período era o que se jogava com uma bola e com os pés, o foot-ball (foot, “pé; ball, “bola”).

Os dois esportistas passaram a difundir suas idéias na comunidade de Sheffield, o que acabou determinando a fundação do clube reconhecido pela FIFA como o mais antigo do mundo, o Sheffield F. C., em 24 de outubro de 1857, e a criação dos primeiros regulamentos do novo esporte, conhecido como “Códigos de Sheffield”, que serviram de base para o primeiro encontro da modalidade naquela cidade: casados x solteiros.

O distintivo do clube e o reconhecimento da FA e da FIFA como o mais antigo do mundo

O “Código de Sheffield” acabou deixando como herança para o futebol moderno três regras: 1- o “tiro-livre”, que definia como a bola seria recolocada em jogo após uma falta; 2- o “lançamento lateral”, como recolocar a bola em jogo quando saía pelas linhas laterais; 3- o “escanteio”, como recolocar a bola em jogo quando ela saía pela linha de fundo tocada por um defensor daquele lado do campo. Outra novidade foi à colocação do travessão sobre as balizas que demarcavam a linha de “goal” (até então, o que vinha sendo jogado não tinha travessão ou possuía apenas uma corda ou fita ligando as balizas).

Como bem descreve matéria da Folha de São Paulo, antes das 11 regras elaboradas em Sheffield, os jogos eram literalmente batalhas campais.

Cinco anos após a fundação do primeiro clube, 15 outros já haviam sido fundados na cidade e a “febre” já chegara a Londres, com a fundação de alguns clubes. Desses clubes da cidade pioneira, ainda existem o Sheffield United e o Sheffield Wednesday (hoje, ainda, profissionais) e o clube objeto deste estudo (que preferiu ficar no amadorismo).

O Sheffield Foot-Ball Club passou a ser conhecido entre os britânicos como “The Club” (o clube), uma definição categórica para “o primeiro entre os primeiros clubes de futebol”. Seus torcedores são conhecidos como “os anciões” e comparecem assiduamente nos jogos de seu time, lotando os 1.500 lugares do Stadium of Bright, que, vejam só, apesar de ser amador e disputar a oitava divisão, comercializa os direitos de nome do estádio - "The Bright Finance Stadium". O uniforme do Clube é assim formado: n° 1 – camisas e meias cor de vinho, com calções pretos; n° 2 – camisas e meias azuis, com calções brancos.


  Imagens retiradas do Google do campo do Sheffield.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Edição de ZH do dia 5 de abril de 1969





Dia 6 de abril de 2009 nosso Beira Rio fará 40 anos e remexendo em seus baús o nosso Nelson Baron, também conselheiro pelo Movimento INTERnet/BV, nos mostrou o que manteve guardado ao longo desses anos. Um exemplar da ZH do dia 5 de abril de 1969, um dia antes da inauguração oficial. Um belo encarte sobre o Beira Rio veio nesta edição. Além disso, também tiramos fotos do resto do jornal, com algumas notícias interessantes.
Parabéns ao Nelson por ter guardado tão bem esta relíquia.