quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Cláudio Cabral solta o verbo

Críticas avassaladoras – às vezes, exageradas – pontuadas do mais refinado e cáustico bom humor. Foi com essa munição que o comentarista esportivo Cláudio Cabral enfrentou os cerca de 50 colorados que marcaram presença na mais recente palestra temática organizada pelo movimento INTERnet/BV, no último dia 22 de setembro, no auditório do Edel Trade Center, em Porto Alegre. A palestra faz parte das atividades de qualificação e resgate da história colorada que o Movimento INTERnet/BV vem realizando desde o seu surgimento.


Cláudio Cabral não foi convidado por acaso. Embora seja mais conhecido pelo seu trabalho como comentarista da Rádio Bandeirantes, Cabral é dono de um extenso e respeitável currículo como dirigente do Internacional. Nos anos 70, ele foi um dos nomes que ajudaram a dar forma aos “Mandarins”, movimento político responsável por lançar as bases de uma gestão profissional no clube – e por elevar o Colorado aos mais altos postos do futebol brasileiro à época.
Hoje, Cabral sequer cogita a hipótese de retornar aos gabinetes colorados. “De jeito nenhum!”, frisa ele, com a voz tipicamente arrastada. Mesmo assim, o comentarista não perde de vista o que acontece dentro e fora do clube em que costumava trabalhar décadas atrás.

Para Cabral, o grande problema do Internacional, hoje, é fruto de uma inversão de valores na gestão do futebol. “O clube deixou de ser dirigido por critérios técnicos. Hoje, o que conta é o critério negocial. Se for necessário, o Inter abre mão de contratar o melhor jogador apenas para poder contratar o mais negociável”, critica Cabral. Ele cita como exemplo um episódio recente: a contratação de Edu, um jogador de potencial desconhecido, em detrimento do retorno de Fernandão – que, na visão de Cabral, “poderia resolver muitos problemas do Inter e já havia mostrado do que é capaz”.
Para Cabral, está na hora de o “assunto futebol” deixar de ser um tabu no âmbito do Conselho Deliberativo do Internacional. “O futebol é abominado lá no Conselho. Ninguém gosta de falar disso lá dentro. Mas o fato é que, hoje, o resultado e a administração do futebol precisam ser cobrados, sim, no Conselho Deliberativo. Não dá mais para deixar uma questão como essa nas mãos de três ou quatro iluminados”, destaca Cabral. O comentarista da Bandeiras acredita que a atual irregularidade do futebol colorado é resultado da falta de cobranças nessa área – que redunda, nas palavras dele, em uma “má administração”. “Antigamente, o presidente decidia tudo dentro do clube. Hoje, o processo é mais compartilhado com outros profissionais. Exceto no futebol, que continua sendo uma área absolutamente fechada”.

Apesar das críticas, Cabral reconhece que o atual momento do Internacional ainda está longe de ser crítico. “Eu falo isso com tranqüilidade: Fernando Carvalho é um dos melhores dirigentes da história do Internacional”, enfatiza. O grande desafio, diz ele, é encontrar um sucessor à altura de Carvalho. Hoje, diz Cabral, não há nenhum dirigente preparado para substituí-lo à altura no cargo de vice-de-futebol. “Falta formação de dirigentes no Inter!”, pontua. “Hoje, os dirigentes são formados em departamentos amadores do clube. Não dá! Tem que haver uma preparação adequada às exigências do futebol profissional”.

A palestra de Cabral durou cerca de duas horas e meia. Ao final, ele foi brindado com uma caneta e um exemplar do livro “A Noite das Asas Vermelhas”, de autoria do conselheiro Emanuel Neves. Além disso, sorteou uma camiseta do movimento INTERnet/BV entre os ouvintes da plateia.

As opiniões de Cabral não traduzem, necessariamente, as opiniões do movimento INTERnet/BV. Elas fazem parte de um ciclo de eventos que sempre foi pautado pela pluralidade de ideias – e cujo objetivo final é oferecer aos associados do movimento INTERnet/BV uma visão mais clara e racional sobre o que se passa no Sport Club Internacional.

Além de Cabral, já participaram de palestras temáticas as seguintes personalidades:

Giovani Luigi, atual assessor de futebol do Inter ;
Edu Pesce, representante da Vulcabrás (detentora da marca Reebok) junto ao Inter ;

Bernardo Stein, o Marabá, diretor geral das categorias de base do Inter ;
Eraldo Herrman, ex-presidente do Inter (1974/1975) ;
Representantes do Movimento Inter2000 e muitas outras personalidades que, ao longo da história, ajudaram a fazer do Inter um dos maiores clubes de futebol do planeta.

Por Andreas Muller

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