terça-feira, 7 de abril de 2009

Centenária Jornada



Foi o escritor uruguaio Eduardo Galeano quem melhor definiu o termo utopia, apontando sua utilidade com incomparável lirismo: "a utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".



O Sport Club Internacional nasceu há exatos 100 anos, fruto do idealismo de Henrique Poppe, o líder de um grupo de jovens que mirou o horizonte e pôs-se a andar. E desde então, do acanhado campo da Rua Arlindo, passando pela velha Chácara, pelo fundamental Eucaliptos até o improvável e milagroso Gigante, nós marchamos.



Por um clube que proporcionasse o esporte em iguais condições a todos, que presenteasse o direito da paixão travestida de couro e grama a quem se interessasse, independentemente de raça ou classe - porém no credo único da veneziana cor vermelha -, nós marchamos.



Para derrubar a insistente pecha tricolor, o incômodo osso listrado entalado na garanta, a enfadonha lembrança dos tropeços e primeiras noites mal dormidas, para materializar a certeza de que um dia a grandeza à qual estávamos irrevogavelmente fadados se insurgiria e quebraria o maldito lacre, gritando ao mundo que o brasão das letras entrelaçadas exige respeito, nós marchamos.



Para termos a morada definitiva e transformá-la em nosso verdadeiro campo dos sonhos, palco mundialista, tablado esmeralda por onde passeava a maior expressão de arte que o Pampa já produziu - e para que lá todos tombassem, um a um, abatidos e inebriados pela força e o encanto da jaqueta rubra -, nós marchamos.



Para reafirmar a crença essencial e enxergar um Gigante onde os outros só viam céu e água, trocando os pés pelas mãos só para provar aos incréus que, sim, esse clube e sua gente conseguem absolutamente TUDO a que se dispuserem, nós marchamos.

Para empurrar as fronteiras na base do cotovelaço, alcançando o genuíno estado colorado de ser, na infusão perfeita de sangue, técnica e mística - gaudério, brasileiro, latino, invencível -, para colocar o país no bolso e levar à reboque quem depois aprendeu, nós marchamos.



Para suportar uma geração inteira debatendo-se num inferno azulado e de lá emergir com a alma crepitando no rubro mais intenso que o próprio demônio, urrando como quem nasce novamente; para que esse brado cobrisse as Américas e o mundo num tom escarlate de mil sóis de Yokohama; para vergar a todos que nos desafiaram; para colocar nosso selo nas plagas mais distantes que um clube de futebol pode chegar neste planeta; para, enfim, poder fardar a rubra e branca, fechar o punho, socar o peito e chorar à maravilha maior de ser colorado. Por tudo isso, nós marchamos e seguiremos marchando.

E os que vierem depois, nos próximos cem, nos próximos mil anos, quando nada mais houver, seguirão olhando para o horizonte e caminhando, como um dia fizeram os jovens idealistas de 1909.

E só há uma explicação para isso.



Não é o Inter que nos impele: somos nós que o carregamos.
Emanuel Neves

Um comentário:

Marcus Garcia disse...

Muito bacana seu blog e também fiz um e gostaria muito que vc desse uma olhada e caso possa a gente fechar uma parceria abração e te aguardo no meu blog

http://alertageralonline.blogspot.com/

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